Beijo molhado: Mesmo com casas alagadas, bueiros entupidos e famílias perdendo seus bens, o amor continua no ar na gestão municipal de Rio Branco
Enquanto a água invade casas, arrasta móveis e transforma ruas em rios improvisados, o amor ao que tudo indica segue firme e bem iluminado em Rio Branco. Em meio a uma manhã chuvosa nesta segunda-feira, marcada por transtornos causados pelas fortes chuvas, o prefeito encontrou tempo para um gesto simbólico: postar uma foto beijando a esposa e (chefe de gabinete) tomando “banho” na fonte luminosa.
A cena, que poderia figurar em uma campanha turística ou em um ensaio romântico fora de contexto, caiu mal para parte da população. Afinal, do outro lado da tela, famílias enfrentavam alagamentos, perdiam utensílios domésticos e tentavam salvar o que restou de seus bens. Bueiros entupidos, problemas crônicos de drenagem e vias sem escoamento adequado voltaram a expor fragilidades antigas da infraestrutura urbana.
Nas redes sociais, o beijo molhado virou símbolo de indignação. Internautas questionaram as prioridades da gestão municipal e apontaram falta de sensibilidade diante de um cenário de sofrimento coletivo. Para muitos, não se trata de negar o afeto ou a vida pessoal do gestor, mas de cobrar bom senso e empatia em um momento em que a cidade pede ação, presença e resposta rápida do poder público.
O contraste entre a imagem romântica e a realidade das ruas alagadas escancara um problema maior: quando o marketing pessoal fala mais alto que a urgência social. Em dias como este, Rio Branco não precisava de declarações públicas de amor, mas de medidas concretas, equipes nas ruas e sinais claros de que alguém está, de fato, cuidando da cidade.
Para quem amanheceu ilhado dentro de casa, com água no joelho e prejuízo no bolso, o amor pode até estar no ar, mas a prioridade deveria estar nas ruas.