Departamento de Justiça dos EUA divulga milhões de documentos sobre o caso Jeffrey Epstein; Donald Trump é citado em suposto caso de abuso sexual
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou na sexta-feira (30), um volume inédito de arquivos relacionados ao caso Jeffrey Epstein, bilionário condenado por crimes sexuais e acusado de liderar um esquema de abuso e tráfico de meninas menores de idade.
A liberação reúne milhões de documentos e representa a maior divulgação já feita sobre o caso. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump é citado várias vezes e aparece na lista do FBI após denúncias telefônicas de que uma adolescente de 13 ou 14 anos teria sido forçada a praticar sexo oral em Trump.
Ao todo, o material inclui cerca de 3 milhões de páginas, além de 180 mil imagens e aproximadamente 2 mil vídeos. Os arquivos abrangem investigações conduzidas ao longo de anos e também reúnem informações que levaram à condenação de Ghislaine Maxwell, ex-namorada e associada de Epstein, sentenciada por tráfico sexual de menores. Segundo a Justiça, Maxwell atuava no recrutamento de adolescentes e auxiliava no encobrimento dos crimes.
Os documentos recém-tornados públicos também revelam detalhes sobre as conexões de Epstein com figuras influentes. Entre os registros, surgem alegações envolvendo o empresário Bill Gates, incluindo e-mails atribuídos a Epstein com acusações consideradas graves. Em resposta, Gates negou todas as acusações, classificando-as como “absurdas e falsas”, e afirmou que os textos refletem apenas o ressentimento de Epstein após o fim da relação entre ambos.
Há ainda registros de contato direto com o então Duque de York, Andrew Mountbatten-Windsor, que tratam de encontros privados e apresentações de mulheres. De acordo com o Departamento de Justiça, não há provas de ilegalidades nos e-mails divulgados. O duque também nega qualquer irregularidade.
Apesar da dimensão da divulgação, parlamentares do Partido Democrata acusam o Departamento de Justiça de reter milhões de páginas sem justificativa adequada. Muitos documentos vieram com extensos trechos censurados, sob a justificativa oficial de proteger vítimas e investigações ainda em andamento, o que mantém questionamentos sobre a transparência total do processo.
Em relação a menções ao ex-presidente Donald Trump, o Departamento de Justiça afirmou que as acusações são “infundadas e falsas”, classificando-as como sensacionalistas e sem credibilidade.