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Polícia Federal afirma que não há necessidade de Jair Bolsonaro ser transferido para a prisão domiciliar

A Polícia Federal divulgou nesta sexta-feira (6) o resultado da perícia médica realizada no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente preso no Complexo Penitenciário da Papudinha, em Brasília. Segundo o laudo, o estado de saúde do ex-chefe do Executivo demanda cuidados e acompanhamento, mas não há necessidade, neste momento, de transferência para prisão domiciliar nem de internação hospitalar.

De acordo com a PF, a avaliação médica identificou que Bolsonaro apresenta “sinais e sintomas neurológicos que aumentam o risco potencial de novos episódios de queda”, o que exige investigação diagnóstica especializada. Diante desse quadro, a corporação recomendou a adoção de medidas paliativas e provisórias até a realização de avaliação médica específica.

Entre as recomendações estão a instalação de grades de apoio em corredores e boxes de banho do alojamento, a implantação de campainhas de pânico ou outros dispositivos de monitoramento em tempo real, além de acompanhamento contínuo nas áreas comuns da unidade prisional. O laudo também orienta a realização de avaliação nutricional com prescrição dietética adequada às comorbidades descritas, prática regular de atividade física aeróbica e resistida conforme tolerância clínica e tratamento fisioterápico contínuo, com foco em fortalecimento muscular e equilíbrio postural.

A perícia médica foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após solicitação da defesa de Bolsonaro, que pede a concessão de prisão domiciliar por razões humanitárias. Moraes ordenou que o ex-presidente fosse submetido imediatamente a uma junta médica oficial, composta por médicos da Polícia Federal, para avaliar o quadro clínico, as condições de cumprimento da pena e a eventual necessidade de transferência para um hospital penitenciário. O laudo servirá de base para a decisão do ministro sobre o pedido apresentado pelos advogados.

Ainda segundo o documento, Bolsonaro relatou melhora nas condições de custódia após a transferência para a Papudinha, em comparação ao período em que esteve detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. “Em relação ao ambiente de custódia, relatou melhora em comparação ao local anterior, destacando maior espaço para circulação. Informou não se incomodar com ruídos, apesar de a unidade encontrar-se em obras, considerando satisfatória a limpeza do ambiente, à qual também auxilia na manutenção”, diz o laudo.

A Polícia Federal informou ainda que questionou o ex-presidente “acerca da existência de outras queixas ou informações relevantes não abordadas, tendo o periciado informado não possuir outras considerações”.

Antes da transferência para o Complexo da Papudinha, a defesa de Bolsonaro havia solicitado ao ministro Alexandre de Moraes que determinasse à PF a correção do barulho contínuo do ar-condicionado da cela onde ele estava custodiado, conhecida como Sala de Estado-Maior. De acordo com os advogados, o equipamento e o sistema de ventilação produziam ruídos constantes que estariam prejudicando o sono do ex-presidente.