Se permaneceu no cargo após acusação de assédio, o que realmente provocou a queda de Clendes Vilas Boas na RBTrans?
A exoneração de Clendes Vilas Boas do comando da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans), oficializada na última quarta-feira (11) por meio do Decreto nº 235/2026, assinado pelo prefeito Tião Bocalom (PL), não é apenas mais uma mudança administrativa na Prefeitura de Rio Branco. É um episódio que reacende questionamentos e expõe a necessidade de transparência na gestão pública.
Durante sua permanência no cargo, Vilas Boas chegou a ser investigado por suposto assédio moral contra servidoras do órgão. À época, a gravidade das denúncias levou os vereadores da capital a aprovarem seu afastamento. No entanto, a decisão do Legislativo não foi acatada pelo prefeito, que optou por mantê-lo na função. O gesto foi interpretado por alguns como demonstração de confiança; por outros, como blindagem política.
Agora, meses depois, vem a exoneração sem explicações detalhadas. Sem justificativa pública clara sobre os reais motivos da decisão.
E é justamente esse ponto que levanta a principal indagação: se uma acusação de assédio moral não foi suficiente para afastá-lo definitivamente naquele momento, o que teria ocorrido de mais sério para motivar sua saída agora? Houve novos fatos? Pressões políticas? Desgaste interno? Perda de confiança administrativa?
A população de Rio Branco tem o direito de compreender os critérios que norteiam decisões dessa magnitude. A gestão pública exige coerência e transparência, especialmente quando envolve denúncias sensíveis e cargos estratégicos.
Mais do que a exoneração em si, o que está em jogo é a clareza das decisões. Quando faltam explicações, sobram dúvidas e, na política, o silêncio quase sempre amplia as desconfianças.