Guarnições da Polícia Militar do Acre, por meio do 1º Batalhão, foram acionadas pelo Centro de Operações da PM, COPOM, na manhã desta segunda-feira, 16, para atender a uma ocorrência em um motel localizado no bairro Habitar Brasil, em Rio Branco. A informação inicial repassada à polícia indicava um possível roubo em andamento, com suspeita de que os envolvidos estariam armados.
Diante da gravidade da denúncia, várias guarnições se deslocaram até o estabelecimento. No local, os policiais conversaram com o gerente, que informou não haver nenhuma alteração visível no motel. Ainda assim, o gestor decidiu entrar em contato, por meio do interfone, com os quartos que estavam ocupados. A suíte de número 06 foi a única que não respondeu às tentativas de contato.
Os militares foram até o quarto e constataram que a porta de entrada estava aberta, porém a porta do banheiro permanecia trancada pelo lado de dentro. Foram dadas ordens para que a porta fosse aberta, o que não foi atendido. Após momentos de tensão, e com autorização do gerente, os policiais arrombaram a porta do banheiro. Toda a ação foi acompanhada e chefiada pelo tenente Eliabe Rodrigues, comandante de patrulha.
No interior do banheiro estavam o advogado Aluísio Veras de Almeida Neto, de 42 anos, e um jovem identificado pelas iniciais T.E.F.V., de 18 anos. A ocorrência, inicialmente tratada como roubo, passou a ser investigada como cárcere privado com ameaça de estupro.
Segundo relato da vítima, de nacionalidade peruana, ele teria conhecido o advogado por meio do aplicativo de relacionamentos Grindr. O convite seria apenas para consumo de bebidas alcoólicas. O jovem informou que se deslocou até o motel por meio de um carro de aplicativo e, após algum tempo no local, Aluísio teria tentado manter relação sexual, o que foi recusado. Com medo, o jovem correu para o banheiro, se trancou e acionou a Polícia Militar.
Já o advogado apresentou outra versão, alegando que ele é quem teria se trancado no banheiro por temer ser morto. O jovem informou às autoridades que pretende registrar queixa crime contra o advogado pelos crimes de ameaça e cárcere privado.
A Polícia Militar informou ainda que Aluísio Veras faz uso de tornozeleira eletrônica e possui histórico anterior de desordem. Há cerca de duas semanas, ele teria sido visto na recepção de um hotel vestindo apenas cueca e em visível estado de alteração.
Outro fato que chamou a atenção das autoridades é que o advogado também é citado em um inquérito da Polícia Civil que investigou a morte de David Weverton Matos Araújo, de 31 anos. O caso ocorreu na madrugada do dia 14 de julho de 2025, no mesmo motel onde aconteceu a prisão desta segunda-feira. Na ocasião, David estava na companhia de Aluísio, consumindo bebidas alcoólicas e drogas, quando teria se ferido no vaso sanitário do banheiro, saído do quarto e caído na calçada. David foi socorrido pelo Samu e encaminhado ao pronto-socorro de Rio Branco, mas não resistiu. O laudo do Instituto Médico Legal apontou como causa da morte uma possível overdose.
Diante da gravidade da situação atual, tanto a vítima quanto o advogado foram conduzidos à Delegacia Central de Flagrantes, DEFLA, onde o caso segue sob investigação e as medidas legais cabíveis devem ser adotadas.


