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Presidente da Fundação mente sobre não ter vaga para paciente com câncer, e demite funcionário que deixou imprensa entrar na Fundhacre

Um episódio envolvendo denúncia de falta de leitos, acesso da imprensa e retaliação a trabalhador terceirizado levanta questionamentos sobre a gestão da Fundhacre. Rafael da Costa Lima, de 33 anos, funcionário da empresa Norte Centro de Distribuição de Mercadorias em GE, que presta serviço à Fundação Hospitalar do Acre, foi demitido após autorizar a entrada de um jornalista nas dependências da unidade hospitalar.

A presença da imprensa ocorreu após denúncia envolvendo a paciente Ana Maria Rodrigues da Silva, de 64 anos, professora aposentada, que aguardava vaga na Enfermaria C da Fundhacre. Transferida de Cruzeiro do Sul para Rio Branco por meio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD), a paciente estava internada no Pronto Socorro (PS) com suspeita de trombose e massa na região torácica. Posteriormente, foi confirmado o diagnóstico de câncer.

Na terça-feira, 27 de janeiro de 2026, a imprensa recebeu a denúncia e entrou em contato com a presidente da Fundhacre, Soron Steiner, que informou não haver vagas disponíveis na Enfermaria C, embora afirmasse tentar viabilizar a transferência. Dois dias depois, na quinta-feira, 29, a presidente voltou a negar a existência de leitos. No entanto, fontes internas do hospital relataram que havia ao menos seis vagas disponíveis na unidade.

Diante da situação, o jornalista Davi Sahid foi pessoalmente até a Fundhacre na tarde do dia 29. Na entrada da unidade, Rafael da Costa Lima autorizou o acesso, sem conhecimento de qualquer restrição formal e considerando que o profissional já havia entrado no local em outras ocasiões. O jornalista seguiu até a Enfermaria C, leito 129, onde conversou com a paciente e familiares.

Durante a visita, foi constatado, por meio de registros fotográficos, que havia 15 leitos desocupados apenas na Enfermaria C, o que contrariava as informações repassadas oficialmente pela presidência da Fundação. Além disso, foram identificados cinco leitos vagos na Enfermaria A, destinada a pacientes oncológicos, 12 leitos livres na Enfermaria B e seis na Enfermaria D.

Reprodução

Após a repercussão da denúncia, a presidente Soron Steiner, o diretor Adalo Lima, a chefe de gabinete Luciana e outros funcionários passaram a analisar imagens internas do hospital para identificar quem havia autorizado a entrada do jornalista. A partir dessa apuração, a direção determinou à empresa terceirizada a demissão de Rafael.

Na manhã de terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, Rafael da Costa Lima recebeu o Aviso Prévio do Empregador para Dispensa do Empregado, emitido pela empresa Norte Centro de Distribuição de Mercadorias em GE, inscrita no CNPJ 21.813.150/0001-94. Pai de família e responsável por um filho de sete anos, Rafael havia sido admitido em 6 de janeiro de 2025.

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O caso gera questionamentos sobre transparência, direito à informação e possíveis práticas de retaliação contra trabalhadores terceirizados, além de reforçar denúncias sobre a real situação de leitos disponíveis na principal unidade hospitalar do estado.