Briga é crime na arquibancada. E no gramado, o que é?
A violência no futebol é um tema que volta ao debate sempre que cenas lamentáveis ganham repercussão. Durante anos, autoridades, clubes e federações cobraram mais responsabilidade das torcidas, reforçando que brigas nas arquibancadas e nos arredores dos estádios não podem fazer parte do espetáculo esportivo. Torcedores envolvidos em confusões podem ser identificados, punidos e até proibidos de frequentar estádios por força do Estatuto do Torcedor.
Mas o episódio ocorrido na final do Campeonato Mineiro entre Cruzeiro e Atlético Mineiro levanta um questionamento inevitável e necessário. Briga é crime na arquibancada. E no gramado, o que é?
Quando a violência parte das arquibancadas, ela é tratada como caso de polícia. Há investigação, responsabilização e punição. Porém, quando o descontrole acontece dentro das quatro linhas, protagonizado justamente por aqueles que deveriam dar o exemplo, muitas vezes o episódio é reduzido a uma simples infração disciplinar do jogo.
O futebol, no entanto, não pode conviver com dois pesos e duas medidas. Jogadores são referências para milhões de torcedores e jovens atletas. Quando a rivalidade se transforma em agressão física dentro de campo, o impacto vai além do resultado da partida. Ele transmite a mensagem equivocada de que a violência pode ser parte do jogo. É justamente essa cultura que o esporte precisa combater.
Se o futebol deseja de fato enfrentar a violência que tantas vezes mancha o espetáculo, o exemplo precisa começar dentro do próprio campo. Afinal, o respeito ao esporte deve valer tanto para quem assiste quanto para quem joga.