Rio Branco, AC, 25 de março de 2026 14:31

Saúde mental de adolescentes acende alerta no Brasil, aponta pesquisa do IBGE

Um levantamento recente revelou um cenário preocupante sobre a saúde mental de adolescentes brasileiros. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar mostram que três em cada dez estudantes entre 13 e 17 anos afirmam se sentir tristes sempre ou na maioria das vezes. Em proporção semelhante, muitos relataram já ter tido vontade de se machucar de propósito.

O estudo ouviu mais de 118 mil adolescentes de escolas públicas e privadas em todo o país ao longo de 2024, sendo considerado representativo da realidade nacional. Além da tristeza frequente, 42,9 por cento dos estudantes disseram se sentir irritados, nervosos ou mal-humorados com facilidade, enquanto 18,5 por cento afirmaram pensar, com frequência, que a vida não vale a pena ser vivida.

Os dados também apontam um sentimento de desamparo entre os jovens. Mais de um quarto dos estudantes afirmou sentir que ninguém se preocupa com eles. Já pouco mais de um terço disse acreditar que seus pais ou responsáveis não entendem seus problemas. Outro dado alarmante indica que 20 por cento relataram ter sofrido agressão física por parte de responsáveis ao menos uma vez no último ano.

Apesar da gravidade do cenário, menos da metade dos alunos estuda em escolas que oferecem algum tipo de suporte psicológico. A situação é ainda mais crítica na rede pública, onde esse tipo de apoio é menos presente. A disponibilidade de profissionais de saúde mental dentro das escolas é ainda mais limitada, alcançando pouco mais de um terço dos estudantes.

A pesquisa também destaca diferenças significativas entre meninos e meninas. Em todos os indicadores analisados, as adolescentes apresentam níveis mais elevados de sofrimento emocional. Mais de 40 por cento das meninas relataram tristeza frequente, enquanto entre os meninos esse número não chega a 17 por cento. O mesmo padrão se repete em pensamentos de automutilação, irritação constante e sensação de falta de sentido na vida.

Casos de autoagressão também chamam atenção. Estima-se que cerca de 100 mil estudantes tenham se machucado de propósito no período analisado. Entre esses jovens, os índices de sofrimento emocional são ainda mais elevados, com a maioria relatando tristeza constante, irritação frequente e ausência de sentido na vida. O bullying aparece como um fator relevante, atingindo grande parte desse grupo.

Outro ponto observado é a insatisfação com a própria imagem corporal, que aumentou nos últimos anos. O nível de satisfação caiu em relação à edição anterior da pesquisa. Entre as meninas, mais de um terço declarou estar insatisfeita com a aparência. Muitas também demonstram preocupação com o peso, mesmo quando não apresentam sobrepeso.

Diante desse cenário, especialistas reforçam a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à saúde mental de adolescentes, com atenção especial às diferenças entre os gêneros. O fortalecimento do apoio psicológico nas escolas e o incentivo ao diálogo dentro das famílias são considerados fundamentais.

Autoridades de saúde também orientam que adolescentes e responsáveis busquem ajuda sempre que houver sinais de sofrimento emocional. O acolhimento pode ser feito por familiares, amigos, educadores e serviços de saúde. Entre as opções disponíveis estão unidades básicas de saúde, centros de atenção psicossocial, hospitais e serviços de emergência.

O Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional gratuito e sigiloso, com atendimento 24 horas pelo telefone 188, além de chat e outros canais de comunicação. A recomendação é não hesitar em procurar ajuda diante de pensamentos negativos ou sofrimento intenso.

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