O Marques de Pombal de Mailza Assis
Há movimentos que não acontecem à luz do dia. E, na política, quase sempre são esses os mais decisivos, e perigosos.
Nos bastidores do poder acreano, um nome começa a circular com mais força do que deveria, não pelo cargo que ocupa, mas pela influência que parece exercer: Jonathan. Para alguns, ele surge como uma peça estratégica. Para outros, porém, a leitura é bem mais inquietante.
Há quem já o veja como um presente grego dentro do governo de Mailza. Um cavalo de Troia cuidadosamente posicionado, não para fortalecer, mas para redesenhar o centro de comando sem que isso seja dito em voz alta.
A comparação histórica não é gratuita. No século XVIII, Dom José I era o rei, mas quem efetivamente conduzia as decisões era o Marquês de Pombal. Um ministro forte, articulador, visionário para uns, autoritário para outros. A coroa existia, mas o poder real fluía por outras mãos.
Guardadas as proporções, é exatamente esse paralelo que começa a ganhar forma no Acre.
E é aí que mora o risco.
Mailza ocupa o posto máximo, com a responsabilidade de liderar um governo que tenta se firmar com seriedade e compromisso. Mas, nos corredores, cresce a percepção de que Jonathan Santiago estaria operando como esse “Pombal moderno”, articulando, costurando e, mais grave, avançando em decisões que sequer passariam pela anuência direta da governadora.
Não se trata apenas de disputa por espaço ou de vaidade política. Trata-se de governabilidade. Quando há desalinhamento interno, quando decisões são tomadas fora do eixo central, o projeto de gestão começa a rachar por dentro. E, na política, rachaduras internas costumam ser muito mais perigosas do que ataques externos.
Mailza tenta construir uma imagem de responsabilidade, equilíbrio e compromisso com o estado. Mas nenhum governo se sustenta quando há a sensação de que existe um segundo comando, ainda que informal, operando nos bastidores. Principalmente quando age contra a vontade de quem lidera.
A história ensina. Nem sempre quem está no trono é quem dita os rumos. E, muitas vezes, quando isso acontece, o preço vem depois, silencioso, mas alto.
Resta saber até que ponto essa comparação é apenas percepção ou se já se transformou em realidade. Porque, se for, o problema deixa de ser político e passa a ser estrutural.
E estruturas, quando comprometidas por dentro, não costumam ruir de uma vez. Elas vão cedendo aos poucos, até que já não há mais o que sustentar.




