Há pouco mais de 10 anos, em 17 de abril de 2016, a Câmara dos Deputados aprovava a abertura do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), em um dos momentos mais emblemáticos da história política recente do Brasil.
Por 367 votos contra 137, o plenário, durante uma sessão marcada por frases polêmicas e intensos embates, deu o pontapé inicial para o afastamento da petista do Palácio do Planalto. As mais de sete horas de discursos e votações renderam episódios marcantes e ilustraram o início da queda da primeira mulher a ocupar a Presidência da República no país.
O processo, baseado em denúncias de crime de responsabilidade fiscal, as chamadas “pedaladas fiscais” e a edição de decretos orçamentáriosc foi conduzido pelo então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB), e seguiu para análise do Senado Federal.
Dilma Rousseff foi afastada provisoriamente do cargo em 12 de maio de 2016, após o Senado aprovar a abertura do processo por 55 votos a 22. O afastamento definitivo ocorreu em 31 de agosto do mesmo ano, com 61 votos favoráveis e 20 contrários, resultando na perda do mandato e na posse do então vice-presidente Michel Temer (MDB).
Frases que marcaram a sessão
Uma das declarações mais lembradas da sessão foi feita por Eduardo Cunha, que ao votar afirmou: “Que Deus tenha misericórdia desta nação. Voto sim”.
Na época, Cunha já era réu por crimes de corrupção passiva e ocultação de bens no âmbito da Operação Lava Jato. Durante a votação, o deputado Expedito Netto também protagonizou um momento de tensão ao se dirigir ao presidente da Casa: “Gostaria de dizer que hoje estamos votando o processo de impeachment da Dilma, mas amanhã é o seu. Contra a corrupção, venha ela de onde vier. Voto sim!”
Discursos polêmicos
A sessão também ficou marcada por falas controversas de parlamentares, incluindo o então deputado federal Jair Bolsonaro (PL) e seu filho, Eduardo Bolsonaro, que à época ocupavam cadeiras na Câmara dos Deputados pelos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente.
Os discursos e dedicatórias feitas durante a votação dividiram opiniões e seguem sendo lembrados como um retrato do clima político acirrado que marcou aquele período.
Mais de uma década depois, o processo de impeachment de Dilma Rousseff continua sendo um dos capítulos mais debatidos da democracia brasileira, tanto pelos seus desdobramentos institucionais quanto pelo impacto duradouro no cenário político nacional.


