A estatal Correios registrou prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, mais que o triplo do resultado negativo do ano anterior, em meio à queda na receita e ao aumento expressivo de despesas. O balanço foi apresentado pela direção da estatal, que também detalhou o andamento do plano de reestruturação financeira iniciado no fim do ano passado. A receita bruta totalizou R$ 17,3 bilhões, retração de 11,35% em relação a 2024, enquanto o patrimônio líquido encerrou o período negativo em R$ 13,1 bilhões.
Entre os principais fatores para o resultado está o crescimento das despesas com precatórios, que somaram R$ 6,4 bilhões, além de provisões bilionárias relacionadas a ações trabalhistas. A queda nas receitas foi influenciada, sobretudo, pela redução no volume de encomendas internacionais, impactadas por mudanças nas regras de tributação sobre importações de baixo valor. O cenário contribuiu para a manutenção de uma sequência de resultados negativos, que já se estende por vários trimestres consecutivos.
O plano de reestruturação inclui medidas como o Programa de Desligamento Voluntário, que registrou adesão abaixo da meta prevista, com pouco mais de 3 mil desligamentos nesta edição. A iniciativa, somada aos programas anteriores, gerou economia parcial frente ao projetado, indicando impacto menor na redução de custos com pessoal. Outras ações envolvem renegociação de contratos, venda de ativos imobiliários e fechamento de unidades consideradas deficitárias dentro da rede de atendimento da estatal.
Como parte da estratégia para recompor o caixa, a empresa firmou um empréstimo de R$ 12 bilhões com um consórcio de instituições financeiras, com garantia da União e prazo de pagamento até 2040. O recurso tem como objetivo assegurar a liquidez e viabilizar a continuidade das operações, enquanto a estatal busca estabilizar suas contas e reduzir o déficit ao longo dos próximos anos, com previsão de retomada do equilíbrio financeiro a partir de 2027.


