Rio Branco, AC, 5 de maio de 2026 07:13

Territórios que Falam: Conferência Popular reafirma a cultura como ato de resistência no Acre

Com o protagonismo de mais de cem vozes da nossa terra, encontro reafirma a cultura como resistência e motor de transformação nas Amazônias acreanas.

Mais de cem vozes, entre artistas, fazedores de cultura, gestores e cidadãos, ecoaram pelos corredores do Museu dos Povos Acreanos durante a “Conferência Popular de Cultura – Territórios que Falam, Cultura que Resiste”, no último sábado, 02.

O encontro transformou o espaço em um território de escuta sensível e construção coletiva, reafirmando que o fazer cultural no Acre é, acima de tudo, um ato de resistência e um eixo fundamental para o desenvolvimento simbólico e econômico de nossas Amazônias.

Com uma programação que pulsou durante todo o dia, a conferência propôs um mergulho nas identidades locais. Para além da expressão artística, o debate posicionou a cultura como uma ferramenta de cura e inclusão, capaz de gerar renda, fortalecer vínculos e enfrentar as violências que atravessam o cotidiano.

“Um dia inesquecível, memorável, em que a gente entende que é um processo onde as pessoas estão chegando e entendendo a força que a gente tem. É um fortalecimento cultural, o fortalecimento do movimento cultural em busca dos nossos direitos, em busca dos nossos fazeres e de sermos vistos; em busca do não apagamento, em busca da não invisibilidade e da valorização total desse produto cultural, dessa cultura e dessas várias “Amazônias” que a gente tem aqui no Acre”, observa Claudia Toledo, coordenadora geral e metodológica do Comitê de cultura Acre.

Cultura e arte acreana

Entre os momentos de celebração da Conferência Popular de Cultura, destacam-se as apresentações artísticas enraizadas da cultura acreana e amazônica. Subiram no palco do encontro o grupo musical do povo indígena Xixinawa, de Sena Madureira; foi exibido o curta -metragem ‘O Nome’, da cineasta acreana Rose Farias e apresentação do sanfoneiro Mestre Dondino e Bandinha de Porto Acre.

Financiamento e territórios

Um dos momentos de maior reflexão foi o painel sobre a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). No centro da roda, a provocação: a cultura deve ser tratada como um custo ou como o investimento que fecunda o futuro? A discussão abriu caminhos para que as políticas públicas alcancem, de fato, as mãos de quem mantém viva a chama das nossas tradições.

O artista popular Gino Camilo da Silva, mais conhecido no mundo artístico como “Lambada”, defende um investimento específico para a cultura popular. “O grande gargalo da cultura popular é que ainda não existe um investimento direcionado; se houvesse, seria mais fácil para os artistas gerarem sua própria cultura. Hoje, eu mesmo construo minhas peças, figurinos e adereços. Tudo é centralizado em mim e, como artista, isso é muito pesado”.

O trabalho manual das ideias nos Grupos de Trabalho (GTs) rendeu boas discussões durante o período da tarde. Divididos por afinidades e territórios, os participantes teceram propostas integradas sobre:

 A cultura como investimento vital através da PNAB;
 O pulsar da arte nas periferias e territórios ancestrais;
 O papel da cultura no enfrentamento às violências;
 A democratização do acesso em todas as suas dimensões — do físico ao simbólico.

Carta da conferência

Toda essa diversidade de pensamentos foi sistematizada e levada à Plenária Final, onde ganhou corpo a Carta da Conferência. O documento não é apenas um papel, mas um manifesto que reúne as diretrizes e os sonhos de quem constrói a cultura acreana no dia a dia. Entre uma fala e outra, o acolhimento e a arte local lembraram a todos que a política, quando feita com afeto, é capaz de transformar realidades.

Esta jornada de união foi realizada pelo Comitê de Cultura Acre, no âmbito do Programa Nacional dos Comitês de Cultura do Ministério da Cultura (PNCC/MinC), com apoio da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) e parceria da Federação de Teatro do Acre (Fetac).

Texto: Assessoria
Fotos: Neilson Abdallah

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