Rio Branco, AC, 13 de maio de 2026 05:48

Mães de pessoas desaparecidas pedem visibilidade, memória e respeito

Recordar cada detalhe e não deixar que ninguém esqueça. No sobressalto de acordar em meio a tantas noites mal dormidas, no silêncio profundo e dolorido ou entre barulhos que ninguém mais parece escutar. Mães de filhos desaparecidos tentam traduzir, todos os dias, o que elas mesmas sabem ser intraduzível.

Mulheres ouvidas pela Agência Brasil carregam esperança, exigem respostas e pedem atenção. Em 2025, 84.760 pessoas desapareceram no Brasil. Em datas como o Dia das Mães, celebrado neste domingo, elas se agarram ao “quem sabe”. Quem sabe mais olhares, mais ação, mais empenho. Quem sabe alguma luz no labirinto em que suas vidas se transformaram.

São mães que procuram filhos recém-desaparecidos ou que convivem há décadas com a ausência. Alimentam o sonho de um reencontro, de um abraço, de ouvir novamente um “feliz Dia das Mães” e, assim, recuperar o sentido da vida como era antes.

Nessa caminhada, já enfrentaram becos escuros, a indiferença em delegacias e até o preconceito nas ruas. Dores tão profundas que nem a ficção consegue alcançar por completo.

Histórias como a da personagem Kehinde, que busca o filho desaparecido, ou de Rita Preta, em sua procura desesperada pelo primogênito, ajudam a ilustrar essa dor. Mas, na vida real, ela se multiplica e desafia até mesmo as palavras.

É o caso de Clarice Cardoso, de 27 anos, moradora da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão. Os filhos dela, Ágatha Isabelle, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desapareceram no dia 4 de janeiro deste ano, após saírem para brincar e procurar maracujá na mata próxima de casa. O primo que estava com eles foi encontrado.

Clarice também é mãe de André, de 9 anos, que tem sido seu apoio diário em meio ao pesadelo que a família enfrenta há mais de quatro meses.

“Ele entende tudo o que está acontecendo e temos conversado muito”, relata, emocionada.

O menino já voltou à escola, enquanto os pais vivem uma rotina suspensa, marcada pela espera e pela angústia.

“A cada ligação que recebo, penso que pode ser uma novidade, alguma pista”, conta.

Neste Dia das Mães, o pedido de Clarice ecoa como o de tantas outras mulheres pelo país: que seus filhos não sejam esquecidos e que mais pessoas possam ajudar. Para elas, cada dia é uma nova busca por respostas, por solidariedade e, sobretudo, por esperança.

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