O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta quinta-feira (14), o uso de inteligência artificial em campanhas eleitorais e afirmou que a tecnologia deveria ser proibida durante o período de disputa política por, segundo ele, “servir aos mentirosos”. A declaração foi feita durante cerimônia de entrega de 384 apartamentos do programa Minha Casa, Minha Vida, em Camaçari, na Bahia.
Durante o discurso, Lula reconheceu os avanços proporcionados pela inteligência artificial em diversas áreas, mas questionou a utilização da ferramenta no ambiente eleitoral.
“A inteligência artificial ajuda muito. Ajuda na saúde, na educação, na ciência e tecnologia. Mas na eleição, será que é necessário inteligência artificial? Na eleição, as pessoas têm que votar numa coisa verdadeira, de carne e osso. As pessoas não podem votar numa mentira. Então eu fico perguntando, você escolheria o padrinho para o seu filho pela inteligência artificial ou você quer conhecer uma pessoa que você gosta, sabe que é decente, honesta?”, afirmou o petista.
O presidente também declarou que não pretende utilizar recursos de inteligência artificial em uma eventual campanha à reeleição. Segundo Lula, a tecnologia poderia ser usada para multiplicar artificialmente sua presença em atos políticos pelo país.
“Veja, se a gente quiser, a gente pode fazer o ‘Lula’ artificial, fazer comício em 27 estados no mesmo dia, no mesmo horário… eu estou lá, e não estou. E confesso a vocês, um cidadão que aprendeu a ter caráter com a Dona Lindu [mãe de Lula], não aceitará inteligência artificial para fazer campanha política”, declarou.
As falas do presidente ocorrem em meio ao avanço do debate sobre o uso de inteligência artificial em processos eleitorais e os riscos de disseminação de desinformação, manipulação de imagens e criação de conteúdos falsos durante campanhas políticas.


