A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias para ter apenas um de descanso, está prestes a iniciar sua tramitação no Senado Federal. A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio e agora passa a ser analisada pelos senadores.
Nos bastidores, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tratam a medida como uma das principais bandeiras sociais do governo com foco nas eleições de 2026. Com isso, a atenção se volta para o Senado, onde o texto deverá enfrentar uma análise mais detalhada antes de chegar ao plenário.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), anunciou na última terça-feira (2) que irá reunir os líderes partidários na próxima semana para discutir os próximos passos da proposta. Diferentemente do que ocorreu na Câmara, integrantes do governo reconhecem que a tramitação na Casa poderá ser mais lenta, especialmente devido à postura adotada por Alcolumbre em relação ao Palácio do Planalto.
A expectativa é que a PEC seja encaminhada inicialmente à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Caso avance, o texto ainda deverá passar por uma comissão especial antes de ser submetido à votação em plenário. O próprio presidente da Casa já sinalizou que não pretende acelerar a análise da matéria.
“Essa matéria tramitou na Câmara dos Deputados por quase cinco meses. A presidência do Senado vai fazer uma reunião na semana que vem e vai reunir os líderes partidários, os senadores e as senadoras, mas muito especialmente o senador Otto Alencar, presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal, que tem sob sua comissão o dever de discutir esta proposta de emenda constitucional”, afirmou Alcolumbre.
Durante o pronunciamento, o presidente do Senado também destacou que a Casa pretende realizar uma análise criteriosa da proposta antes de qualquer deliberação final.
Em seu discurso, Alcolumbre defendeu que o Senado não atue como uma “instância de carimbo” das decisões tomadas pela Câmara dos Deputados e reforçou que a PEC precisará passar pelas comissões competentes antes de ser apreciada pelo plenário.
A proposta tem gerado amplo debate entre trabalhadores, empregadores e representantes políticos, sendo apontada por seus defensores como uma medida voltada à melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros. Já os críticos argumentam que a mudança pode gerar impactos econômicos e desafios para determinados setores produtivos. O avanço da matéria no Senado deverá intensificar as discussões sobre os efeitos da alteração na jornada de trabalho no país.


