Rio Branco, AC, 7 de junho de 2026 08:58

Mulheres negras jovens seguem enfrentando maiores dificuldades para conseguir trabalho, aponta estudo

Apesar dos avanços registrados no mercado de trabalho brasileiro nos últimos anos, as mulheres negras jovens continuam sendo o grupo mais afetado pelo desemprego, pela informalidade e pela desigualdade salarial. É o que revela um relatório da Rede Multiatores MUDE com Elas, elaborado pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert) com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O estudo mostra que, mesmo com melhorias nos níveis de escolaridade e renda, as desigualdades estruturais continuam limitando as oportunidades para mulheres negras entre 14 e 29 anos.

Entre adolescentes de 14 a 17 anos, a taxa de desocupação entre mulheres negras chega a 24,7%, índice 1,4 vez superior ao registrado entre homens brancos da mesma faixa etária. A situação se agrava entre jovens de 18 a 24 anos, período considerado decisivo para a entrada no mercado de trabalho, quando a taxa de desemprego alcança 16,5%, o equivalente a 1,6 vez a observada entre homens brancos.

Na faixa etária de 25 a 29 anos, a taxa de desocupação das mulheres negras é de 10,3%, quase o dobro da registrada entre mulheres brancas e 2,8 vezes superior à dos homens brancos.

Segundo a coordenadora da Rede Multiatores pelo Ceert, Shirley Santos, os dados demonstram que a melhora do mercado de trabalho não ocorreu de forma igualitária.

“O mercado de trabalho melhorou, mas não melhorou de forma igual para todas as pessoas. Isso evidencia que o problema não está apenas no acesso à educação, mas também nos mecanismos estruturais de exclusão que continuam operando no mercado de trabalho e na sociedade brasileira”, afirmou.

A pesquisa também destaca o impacto do território na geração de oportunidades. Moradoras de regiões periféricas enfrentam maiores obstáculos relacionados à mobilidade urbana, acesso à infraestrutura, qualidade dos serviços públicos e ampliação de redes profissionais.

Quando o assunto é renda, a desigualdade permanece significativa. Em 2025, o rendimento médio das mulheres negras correspondeu a apenas 46,5% do rendimento dos homens brancos, mantendo praticamente inalterada uma diferença salarial superior a 53%.

A informalidade também afeta mais intensamente as jovens negras. O levantamento aponta que 39,1% delas trabalham sem vínculo formal, percentual cerca de 10 pontos percentuais superior ao observado entre mulheres brancas. Apenas os homens negros apresentam índice maior, chegando a 44,2%.

Outro dado preocupante é o desalento, condição em que a pessoa deixa de procurar emprego por acreditar que não conseguirá uma oportunidade. As mulheres negras representam 38,7% dos jovens desalentados do país. Entre aquelas com idade entre 25 e 29 anos, a participação sobe para 44,2%.

Na Região Metropolitana de São Paulo, as disparidades se repetem. Mulheres negras recebem, em média, R$ 2.236 por mês, enquanto homens brancos têm rendimento médio de R$ 3.926. Entre os trabalhadores de 25 a 29 anos, a diferença é ainda maior: R$ 2.569 para mulheres negras contra R$ 5.323 para homens brancos.

Os pesquisadores ressaltam que, além dos dados estatísticos, é necessário considerar fatores como racismo estrutural, discriminação nos processos de contratação e promoção, além da sobrecarga histórica do trabalho de cuidado, que impactam diretamente as oportunidades oferecidas às mulheres negras no mercado de trabalho brasileiro.

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