Existe uma crença muito comum na política: Venceu a eleição, acabou o problema.
O candidato que assim pensa, não poderia estar mais distante da realidade, principalmente nas eleições de 2026.
Todos os anos, políticos em todo o país descobrem que a disputa eleitoral não termina quando as urnas são fechadas. Na verdade, em muitos casos, ela continua nos tribunais.
O que poucos candidatos percebem é que uma campanha eleitoral gera rastros, como documentos, publicações, vídeos, contratações, movimentações financeiras, ações de apoiadores e declarações públicas.
Tudo isso pode ser analisado posteriormente pela Justiça Eleitoral.
Por essa razão, a pergunta mais importante de uma campanha talvez não seja:
“Quantos votos eu preciso para vencer?”
Mas sim:
“Minha campanha suportaria uma auditoria completa realizada por um adversário político?”
A legislação eleitoral brasileira prevê mecanismos destinados a proteger a legitimidade das eleições e a igualdade de oportunidades entre os candidatos.
Quando surgem indícios de irregularidades graves, determinadas situações podem ser levadas ao conhecimento da Justiça Eleitoral para apuração.
É justamente por isso que as campanhas modernas passaram a exigir cada vez mais planejamento, controle interno e prevenção de riscos.
As eleições de 2026 reforçam ainda mais essa realidade. A Resolução nº 23.755/2026 do Tribunal Superior Eleitoral demonstra a crescente preocupação com o ambiente digital, com a circulação de conteúdos e com o impacto das novas tecnologias sobre o processo eleitoral.
O maior erro de um candidato é acreditar que os riscos terminam no dia da votação.
Na verdade, é exatamente nesse momento que muitos deles começam a ser descobertos.
PERGUNTA QUE FICA
Se amanhã sua campanha fosse auditada por seu maior adversário político, você teria tranquilidade para abrir todos os arquivos?
E todos os atos de sua pré-campanha e campanha estão seguros e blindados de questionamento da justiça eleitoral?
JOÃO VICTOR ANDRADE
Advogado, especialista em Compliance e Relações Governamentais, com certificação internacional em Justiça pela Harvard University (EUA). Atua na prevenção de riscos jurídicos, eleitorais e institucionais para agentes públicos, candidatos, mandatários e organizações.


