O assassinato do líder sindicalista e defensor da Amazônia Chico Mendes, ocorrido em dezembro de 1988, provocou comoção nacional e repercussão em diversos países. Uma reportagem exibida pela TV Globo na época mostrou os desdobramentos do crime, a mobilização popular durante o velório e enterro, além da reação da comunidade internacional diante da morte do seringueiro acreano.
Segundo a reportagem, Chico Mendes foi enterrado em Xapuri, no interior do Acre, após ser morto com um tiro de escopeta no quintal de sua residência na noite de 22 de dezembro. Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, ele era reconhecido mundialmente pela luta em defesa da floresta amazônica e dos povos da floresta.
No ano anterior ao crime, Chico Mendes havia recebido um prêmio das Nações Unidas pelo trabalho de preservação da Amazônia. Em 1988, também foi homenageado pela Sociedade Americana para a Ecologia, reconhecimento que ampliou sua visibilidade internacional.
A despedida reuniu centenas de pessoas. A missa de corpo presente foi celebrada na Igreja São Sebastião, em Xapuri, pelo então bispo de Rio Branco, Dom Moacyr Grechi, acompanhado de outros sacerdotes. Sob chuva intensa, cerca de 500 pessoas seguiram o cortejo fúnebre em silêncio pelas ruas da cidade até o Cemitério São José, onde o sindicalista foi sepultado.
Naquele momento, as investigações ainda buscavam esclarecer a autoria do crime. O delegado especial Nilson Alves, designado pela Secretaria de Segurança Pública, coletava informações sobre o fazendeiro Darly Alves da Silva, apontado como principal suspeito de mandar executar o líder sindical. A Polícia Federal também enviou representantes para acompanhar o caso e anunciou uma operação de desarmamento na região.
A repercussão internacional foi imediata. Organizações ambientalistas de diversos países manifestaram indignação. No México, um grupo ecológico liderado pelo poeta Homero Aridjis realizou protestos e cobrou das autoridades brasileiras a prisão dos responsáveis e medidas efetivas para proteger a Amazônia.
A morte de Chico Mendes também ganhou destaque na imprensa mundial. O jornal americano The New York Times publicou a notícia em sua primeira página com o título que destacava a trajetória do brasileiro que lutava pela proteção da Amazônia e acabou assassinado. A reportagem ressaltava as ameaças de morte recebidas pelo sindicalista e as suspeitas envolvendo fazendeiros da região.
Mais de três décadas depois, Chico Mendes permanece como um dos maiores símbolos da luta socioambiental no Brasil. Sua trajetória transformou a defesa da floresta em uma causa conhecida internacionalmente e consolidou seu nome como referência na preservação da Amazônia e nos direitos dos trabalhadores extrativistas.


