Os efeitos do El Niño passam a ser sentidos de forma mais evidente no Brasil a partir desta quinta-feira (16), com mudanças graduais no comportamento do clima em diferentes regiões do país. Embora o fenômeno tenha sido confirmado em junho, especialistas apontam que a segunda quinzena de julho marca o início de alterações mais significativas na circulação atmosférica. A expectativa é de aumento das chuvas na Região Sul, enquanto Centro-Oeste, Norte e Nordeste devem enfrentar temperaturas mais elevadas e redução das precipitações.
O El Niño é provocado pelo aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, condição que modifica os padrões de chuva e temperatura em diversas partes do mundo. De acordo com o Centro de Previsão Climática (CPC), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 81% de probabilidade de o episódio alcançar a classificação de “muito forte” entre outubro e dezembro, período previsto para o pico do fenômeno. Caso isso ocorra, o evento ficará entre os mais intensos registrados desde 1950.
As projeções indicam cenários distintos entre as regiões brasileiras. No Sul, o volume de chuva acima da média aumenta o risco de enchentes, alagamentos, deslizamentos e tempestades severas, especialmente durante a primavera. Já no Centro-Oeste, Norte e Nordeste, a combinação de calor intenso e tempo seco deve favorecer ondas de calor, incêndios florestais e piora da qualidade do ar. Áreas como Acre, Rondônia, Mato Grosso, sul do Amazonas e sul do Pará estão entre as mais suscetíveis ao avanço das queimadas durante os próximos meses.
Além dos impactos sobre o clima, o El Niño também pode afetar a agricultura, o abastecimento de água, a geração de energia e a infraestrutura. Enquanto o excesso de chuva pode prejudicar atividades no campo e provocar danos em rodovias no Sul, a estiagem tende a comprometer lavouras, reduzir a disponibilidade hídrica e afetar reservatórios em outras regiões do país. Diante desse cenário, órgãos federais orientam estados e municípios a reforçarem planos de contingência e recomendam que a população acompanhe os alertas emitidos pela Defesa Civil e pelos institutos oficiais de meteorologia.


