A força da mulher acreana tem conquistado cada vez mais reconhecimento dentro e fora do estado. Em diferentes áreas, mulheres vêm ocupando espaços de liderança, influenciando decisões e promovendo transformações sociais que fortalecem o Acre. Entre elas, as mulheres negras ganham cada vez mais visibilidade por suas trajetórias de resistência, competência e impacto em suas comunidades.
Esse protagonismo será evidenciado na próxima quarta-feira, 25, quando a psicóloga, administradora e acadêmica de Direito Paula Luane Braga representará o Acre na 5ª edição do Prêmio Mulheres Negras que Movem a Terra, em Uberlândia (MG). A homenagem ocorre na mesma data em que são celebrados o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela, símbolos da luta, da resistência e da liderança das mulheres negras.
O reconhecimento nacional homenageará 65 mulheres negras que transformam comunidades, empresas, instituições e inspiram novas gerações por meio de suas histórias de superação, liderança e compromisso social. A iniciativa nasceu justamente para transformar uma data de reflexão em um momento concreto de valorização e reconhecimento dessas trajetórias.
Representando o Acre, Paula Luane, de 41 anos, nasceu e foi criada em Rio Branco. Filha de pais negros, construiu sua trajetória pautada pelo compromisso com a promoção da igualdade, da justiça social e da valorização das mulheres.
Para ela, viver esse momento e representar milhares de mulheres acreanas tem um significado especial.
“Cresci ouvindo que não seria ninguém e, ainda hoje, escuto pessoas dizendo que certos lugares não são para mim. Receber esse prêmio é a confirmação de que o trabalho que venho desenvolvendo está alcançando pessoas e transformando realidades”, destacou.
Ela acredita que cada mulher que conquista um espaço ajuda a abrir caminhos para tantas outras que ainda enfrentam barreiras.
“Ser referência significa entender que minha trajetória pode inspirar outras mulheres a acreditarem em seus sonhos e ocuparem espaços de liderança, decisão e visibilidade”, afirmou.
Para Paula, o crescimento da presença feminina em cargos estratégicos representa uma mudança histórica. Ela destaca que ver mulheres ocupando posições de comando fortalece a confiança de meninas e mulheres que desejam seguir o mesmo caminho.
“Ter mulheres comandando espaços de poder, como a governadora Mailza Assis e tantas outras líderes, demonstra que mulheres podem exercer suas funções com competência, ética, sensibilidade e respeito. Isso rompe barreiras históricas e inspira outras mulheres a acreditarem que também pertencem a esses espaços”.
A conquista de Paula também simboliza a força das mulheres acreanas, que vêm ampliando sua participação em diferentes setores da sociedade e mostrando que a presença feminina nos espaços de decisão é fundamental para construir políticas públicas mais inclusivas, ampliar oportunidades e promover uma sociedade mais justa e representativa.
Visibilidade que transforma realidades
Apesar dos avanços conquistados nas últimas décadas, os desafios ainda são significativos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que as mulheres negras representam uma das maiores parcelas da população brasileira, mas continuam enfrentando desigualdades no mercado de trabalho, na renda, no acesso a cargos de liderança e às oportunidades. Ao mesmo tempo, são protagonistas na condução de famílias, no empreendedorismo e em iniciativas sociais que transformam diretamente suas comunidades.
Foi diante dessa realidade que nasceu o Prêmio Mulheres Negras que Movem a Terra, idealizado pela empresária, comunicadora e mentora Alessandra Fabyane. O objetivo é dar visibilidade a histórias que, muitas vezes, promovem grandes transformações longe dos holofotes.
Mais do que uma premiação, o projeto consolidou-se como um movimento nacional de valorização da liderança feminina negra, reconhecendo mulheres que promovem mudanças nos negócios, na educação, na cultura, na saúde, na comunicação, no empreendedorismo, na ciência, na política, no esporte, na fé e na transformação social.
Em sua quinta edição, o prêmio alcança um marco histórico ao homenagear 65 mulheres, sendo 29 representantes de diferentes estados brasileiros, consolidando-se como uma das principais iniciativas de valorização da liderança negra feminina no país.
Ao longo de cinco edições, centenas de trajetórias já foram reconhecidas, fortalecendo redes de apoio, ampliando a visibilidade dessas lideranças e inspirando novas gerações de meninas e mulheres negras a ocuparem espaços de decisão.
A cerimônia de 2026 reunirá homenageadas, autoridades, parceiros, imprensa e convidados em uma noite dedicada à celebração da excelência, da representatividade e do legado construído por mulheres negras em todo o Brasil


