A Igreja Presbiteriana do Brasil deve decidir, no fim deste mês, se o movimento cristão masculino Legendários será considerado incompatível com a doutrina da denominação. A votação ocorrerá durante a reunião do Supremo Concílio, instância máxima da igreja, que começa no próximo domingo (26), em Manaus, reunindo mais de 1.600 representantes de 404 presbitérios de todo o país. A análise será baseada em um parecer elaborado pelo Sínodo do Tocantins, que recomenda que pastores, presbíteros, diáconos e demais membros não participem nem promovam o programa.
O parecer afirma que o Legendários apresenta práticas incompatíveis com a tradição reformada e cita o uso de metodologias associadas ao coaching, técnicas de alto impacto emocional, gritos de guerra, camisetas padronizadas, numeração de participantes e referências a Jesus como “Legendário 001”. O documento também aponta preocupação com o desgaste físico, privação de alimento e pressão psicológica durante os retiros, além de alertar para possíveis divisões entre participantes e não participantes dentro das igrejas locais. Caso seja aprovado, o texto passará a orientar oficialmente toda a Igreja Presbiteriana do Brasil e permitirá que conselhos regionais acompanhem situações envolvendo membros ligados ao movimento.
Em resposta, Joshua Catalan, vice-presidente de Essência e Projetos Especiais do Legendários, afirmou que o grupo respeita “as diferentes denominações cristãs e suas respectivas decisões” e acrescentou que “a fome, a sede, a angústia e a depressão não têm religião”. Segundo ele, o movimento atua em 24 países, reúne mais de 220 mil participantes e permanece “focado em ações que contribuem para comunidades mais fortes, solidárias e com o bem comum”.
O pastor Hernandes Dias Lopes, uma das principais referências da Igreja Presbiteriana do Brasil, declarou que não vê problemas nos desafios físicos promovidos pelo Legendários, desde que não sejam revestidos de misticismo nem substituam a centralidade da igreja. Segundo ele, um de seus filhos participou de uma edição do programa e relatou que a experiência serviu para conhecer os próprios limites e refletir sobre o esforço em favor da família, ressaltando que o ponto de atenção é quando esse tipo de iniciativa deixa de ser complementar à vida da igreja e passa a ocupar seu lugar.


