Rio Branco, AC, 26 de julho de 2026 12:31

Projeto de gestão documental oferece bolsas de estágio para reeducandas e egressas do sistema prisional acreano

Ana Lídia Paolino é uma das estagiárias do projeto “Memória, História e Transformação Social”. Quando perguntada sobre seu serviço, descreveu: “Todo dia a gente vai aperfeiçoando o trabalho, desenvolvendo técnicas sobre coisas que a gente não conhecia e à medida que está passando o tempo, estamos criando amor pelo o que a gente faz. Nós sabemos que temos uma responsabilidade muito grande em nossas mãos, então fazemos com muito cuidado, muita atenção e muito carinho para que tudo saia perfeito”.

O trabalho que ela se refere é a gestão documental, missão que é baseada em uma ciência: a arquivologia. A organização e preservação dos documentos servem para proteger a memória histórica dos arquivos. Paralelo a isso, há ainda o descarte correto de todo esse papel digitalizado e daqueles que cumprem a tabela de temporalidade. Etapa que é realizada priorizando o compromisso com a sustentabilidade.

Com esse projeto, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) uniu uma rotina administrativa com a oportunidade de ressocialização, através da empregabilidade gerada pelas vagas de estágio para mulheres que estão cumprindo pena no regime aberto ou semiaberto. O tratamento técnico de acervos documentais acumulados se tornou o caminho para a inclusão produtiva e educacional.

Mikaelly Carvalho explica com suas palavras o estigma de ter sido presa: “Esse projeto trouxe bastante oportunidades para gente. As portas se fecharam quando a gente saiu do sistema. Aonde procurei trabalho, quando viam a tornozeleira, as portas se fecharam, por isso a gente agradece à Deus, primeiramente, mas depois ao Tribunal por ter dado essa oportunidade. Aqui podemos mostrar que vamos mudar e por isso agarramos essa chance com unhas e dentes, para poder dar um futuro melhor para os nossos filhos, conseguir as nossas coisas, o nosso próprio dinheiro pelo nosso suor”.

Quando as portas se fecham, a punição é perpetuada além das grades. O preconceito e rótulos negativos resultam em exclusão social e grandes dificuldades para recomeçar a vida. Romper essa barreira é favorecer a transformação social.

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