Rio Branco, AC, 9 de agosto de 2026 09:14

Eleições de 2026 batem recorde de chapas presidenciais sem alianças desde 1989

As eleições presidenciais de 2026 terão a maior proporção de chapas formadas por apenas um partido desde 1989, primeiro pleito para a Presidência da República realizado após a redemocratização do Brasil. O cenário foi consolidado após diferentes legendas optarem por não estabelecer alianças nacionais e deixarem os diretórios estaduais livres para definir seus apoios.

Neste ano, 13 candidatos disputam a Presidência da República. Embora o número seja menor que o registrado em 1989, quando 22 nomes concorreram ao cargo, a proporção de chapas puro-sangue é maior: 92,3% em 2026, contra 86,4% no pleito de 1989.

A candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é a única que conta, no âmbito nacional, com uma aliança formal por meio da Federação Brasil da Esperança. O grupo reúne PT (Partido dos Trabalhadores), PCdoB (Partido Comunista do Brasil), PV (Partido Verde), PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), Rede Sustentabilidade, PSB (Partido Socialista Brasileiro) e PDT (Partido Democrático Trabalhista).

Outros nomes que estão na disputa presidencial chegaram a discutir alianças e possíveis indicações para a vice-presidência, mas não formalizaram chapas com outros partidos. Entre eles estão o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo).

Cenário diferente de 2022

A configuração atual contrasta com a eleição presidencial de 2022, quando três dos principais candidatos disputaram o pleito respaldados por coligações nacionais.

Naquele ano, Luiz Inácio Lula da Silva concorreu pela coligação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB, PSOL, Rede, PSB, Solidariedade, Avante, PROS e Agir. Jair Bolsonaro disputou a eleição pela coligação Muda Brasil, formada por PL, PP e Republicanos. Já Simone Tebet foi candidata pela coligação Brasil para Todos, que reunia MDB, Podemos, PSDB e Cidadania.

Mudança na dinâmica política

Para o cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), a decisão dos partidos de não estabelecerem alianças nacionais e permitirem que os diretórios estaduais definam seus próprios palanques representa uma mudança na dinâmica do presidencialismo brasileiro.

Segundo a análise, o movimento aponta para uma maior força dos redutos eleitorais e para uma espécie de “paroquização” da política brasileira. Nesse modelo, as alianças e estratégias regionais ganham peso, enquanto a ausência de um apoio nacional entre partidos não necessariamente impede que essas mesmas legendas estejam juntas nos estados.

A tendência também evidencia a crescente autonomia das estruturas partidárias regionais na definição das alianças eleitorais, fazendo com que os arranjos para as disputas estaduais possam ser diferentes daqueles estabelecidos na corrida pela Presidência da República.

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