Rio Branco, AC, 27 de agosto de 2026 16:46

Alunos de Medicina da Uninorte denunciam pressão acadêmica e pedem investigação sobre avaliações e rotina do curso

Estudantes do curso de Medicina do Centro Universitário Uninorte, em Rio Branco, encaminharam ao Alerta Cidade, nesta quinta-feira (27), uma denúncia sobre mudanças na rotina acadêmica, pressão sobre os alunos, critérios de avaliação e preocupações com os índices de reprovação. O relato também aponta questões relacionadas à saúde mental dos acadêmicos.

Segundo o relato, as mudanças teriam se intensificado após acontecimentos relacionados ao desempenho do curso no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) e às consequências impostas à instituição. Sem se identificarem, os estudantes afirmam que passaram a enfrentar alterações de horários, reposições de atividades, redução do tempo destinado a determinados conteúdos e avaliações consideradas incompatíveis com o que teria sido efetivamente trabalhado em sala de aula.

Uma das situações citadas na denúncia é um comunicado oficial da Coordenação do Curso de Medicina, emitido em 25 de agosto de 2026. O documento informa que, ao longo do semestre, poderão ser necessárias “reposições ou adequações de datas e horários de atividades acadêmicas”. Segundo o comunicado, essas reposições poderão ser realizadas nos chamados horários de “área verde” dos estudantes e não dependerão da concordância prévia de toda a turma ou dos integrantes dos grupos de prática.

A própria comunicação reconhece que alterações dessa natureza podem impactar a organização dos acadêmicos e orienta que sejam informadas com a maior antecedência possível. Para os estudantes, entretanto, a questão ultrapassa mudanças pontuais no calendário, diante da necessidade de conciliar aulas, estudos, descanso e compromissos pessoais em uma formação considerada naturalmente intensa.

A denúncia também relata a percepção de que professores estariam submetidos a pressão para cumprir conteúdos e cronogramas em períodos reduzidos. De acordo com os alunos, os docentes não devem ser responsabilizados individualmente pela situação, uma vez que também podem estar sujeitos a determinações institucionais.

Outro ponto levantado é a necessidade de analisar de forma ampla as causas do desempenho do curso no Enamed. Para os estudantes, o resultado de uma avaliação nacional não deve ser atribuído exclusivamente aos acadêmicos, já que a formação médica envolve também planejamento pedagógico, qualidade do ensino, estrutura institucional, acompanhamento e condições adequadas de aprendizagem.

A denúncia pede ainda que sejam analisados os índices de aprovação e reprovação do curso nos últimos semestres, além de possíveis mudanças recentes nos critérios e no grau de dificuldade das avaliações. Também é solicitada uma análise sobre a compatibilidade entre os conteúdos ministrados e aqueles cobrados nas provas, o cumprimento da carga horária e dos planos de ensino e a frequência das alterações de horários e reposições.

Saúde mental preocupa estudantes

A situação envolvendo a saúde mental dos acadêmicos é apontada como uma das principais preocupações. Conforme o relato, uma estudante teria enfrentado um episódio grave relacionado à saúde mental e mesmo com documentação médica relacionada ao quadro, a estudante posteriormente teria sido reprovada por uma diferença mínima de nota.

O caso, de acordo com a denúncia, gerou preocupação entre os colegas e levantou questionamentos sobre a aplicação uniforme de critérios acadêmicos e possíveis medidas de flexibilização em situações excepcionais.

De acordo com o relato, os estudantes afirmam que a reivindicação não é por redução do nível de cobrança ou facilitação das avaliações. Segundo os acadêmicos, há a necessidade de rigor na formação médica, mas defendem que a exigência seja acompanhada de qualidade de ensino, critérios objetivos, proporcionalidade, transparência, organização e tratamento igualitário.

Entre os pontos que a denúncia solicita que sejam investigados estão os índices de aprovação e reprovação dos últimos semestres; eventuais mudanças nos critérios e no grau de dificuldade das avaliações; a relação entre conteúdos ministrados e cobrados nas provas; o cumprimento de carga horária e planos de ensino; alterações de horários e reposições; critérios para avaliações substitutivas e medidas excepcionais; tratamento dado a estudantes com documentação médica; e a existência de mecanismos efetivos de acolhimento e proteção da saúde mental.

O Alerta Cidade entrou em contato com a Coordenação do Curso de Medicina da Uninorte para obter esclarecimentos por parte da instituição, mas até o fechamento desta matéria, a unidade de ensino ainda não havia se pronunciado.

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