O governo do Acre iniciou nesta terça-feira (1º) o cadastramento de pessoas atingidas pela hanseníase que foram submetidas ao isolamento ou à internação compulsória no estado. A medida prevê a emissão de certificados de reconhecimento e pedido de desculpas pelas violações sofridas durante o período em que o afastamento forçado era adotado como política pública.
A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH) e está prevista na Lei Estadual nº 3.407/2018. A legislação reconhece os casos de isolamento e internação compulsórios ocorridos no Acre até 31 de dezembro de 1986. Inicialmente, uma equipe volante realizará atendimentos na antiga Colônia Souza Araújo, em Rio Branco, enquanto outro ponto funcionará por meio do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), no Centro da capital. Os documentos apresentados serão analisados para verificar quem atende aos critérios estabelecidos pela lei.
A política de isolamento deixou marcas que ultrapassaram os antigos locais de internação. No Acre, a Colônia Souza Araújo, em Rio Branco, e a Colônia Ernani Agrícola, em Cruzeiro do Sul, receberam pessoas atingidas pela doença. Também houve casos de isolamento em residências e seringais. Em junho deste ano, um encontro realizado na capital reuniu mais de 100 pessoas que tiveram suas famílias afetadas pela separação provocada por essa política.
Os primeiros certificados estão previstos para serem entregues em 21 de setembro. Após a etapa inicial, a intenção do governo é manter um ponto permanente de cadastramento na SEASDH para atender moradores de outros municípios. A hanseníase atualmente possui tratamento e cura, mas o estigma construído historicamente permanece como uma das consequências da doença; o Ministério da Saúde destaca que o diagnóstico tardio pode causar lesões nos nervos e incapacidades permanentes.


