O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça admitiu, nesta quarta-feira (2), que se reuniu com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em março de 2025, em São Paulo. O encontro durou aproximadamente duas horas e ocorreu antes de Mendonça assumir a relatoria do caso envolvendo a instituição financeira na Corte.
A reunião foi divulgada pelo portal ICL Notícias. Segundo a publicação, a aproximação entre o ministro e o banqueiro teria sido articulada pelo advogado baiano Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). O objetivo seria estabelecer um canal de diálogo com Mendonça em meio ao cerco institucional que se formava em torno do Banco Master.
Em nota, o ministro confirmou o encontro e afirmou que a reunião ocorreu por iniciativa de Vorcaro. Mendonça declarou que se limitou a ouvir o empresário e ressaltou que, naquele momento, o assunto tratado era a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, que estava sob análise do STF.
O processo discutia créditos de precatórios de interesse do Banco Master e, na data da reunião, estava com pedido de vista de outro ministro. Mendonça afirmou ainda que o empresário buscou interlocução semelhante com outros integrantes do Supremo para tratar do mesmo assunto.
Documentos apreendidos também indicam que Ciro Soares já havia mantido contatos anteriores com Vorcaro sobre a situação do banco. Em um áudio enviado em 8 de fevereiro de 2025, acompanhado de uma fotografia com o ministro, o advogado afirmou ao banqueiro que estava “trabalhando” por ele enquanto acompanhava Mendonça a uma alfaiataria em São Paulo para a confecção de um terno.
Segundo as informações divulgadas, materiais apreendidos apontam que tanto o advogado quanto o deputado Cezinha de Madureira já haviam abordado Mendonça em momentos anteriores. As conversas teriam envolvido os desdobramentos da crise do Banco Master e as dificuldades enfrentadas pela instituição junto ao Banco Central.
Mendonça assumiu posteriormente a relatoria do caso relacionado ao Banco Master no Supremo. O ministro sustenta que, no encontro realizado antes de assumir a relatoria, tratou exclusivamente do processo que já estava em julgamento na Corte.


