Rio Branco, AC, 6 de setembro de 2026 02:00

ONU aprova mudança em mapa-múndi para corrigir distorções de tamanho da África, América do Sul e Ásia

Proposta liderada pelo Togo recebeu apoio de 164 países na Assembleia Geral; Estados Unidos votaram contra

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou nesta sexta-feira (4) uma proposta para alterar a forma como algumas regiões do mundo são representadas no mapa-múndi. A iniciativa, intitulada “Corrija o mapa”, foi liderada pelo Togo e contou com o apoio de outros países africanos.

Ao todo, 164 países votaram a favor da mudança. Os Estados Unidos foram o único país a votar contra, enquanto seis representantes optaram pela abstenção.

A proposta busca corrigir distorções presentes em representações cartográficas utilizadas desde o século 16. Entre as regiões que aparecem proporcionalmente menores em determinados mapas estão a África, a América do Sul e o Sul da Ásia.

Segundo a ONU, a mudança tem como objetivo fazer com que os mapas representem de maneira mais justa algumas regiões do planeta. A discussão também envolve a percepção que essas representações podem produzir sobre o tamanho, a importância e a posição de diferentes povos e territórios no mundo.

Antes da votação, o ministro das Relações Exteriores do Togo, Robert Dussey, defendeu a aprovação da proposta. Em seu discurso, afirmou que o resultado demonstraria que a Assembleia Geral das Nações Unidas acredita na “verdade científica”.

Para Dussey, a decisão vai além da simples alteração de uma representação cartográfica. Segundo o ministro, corrigir as proporções do mapa também significa reforçar a equidade na representação e a dignidade dos povos.

“Não se trata apenas de corrigir um mapa, mas de corrigir a percepção”, afirmou o ministro.

A discussão sobre as distorções dos mapas ganhou força ao longo dos anos devido à chamada projeção de Mercator, criada no século 16. Embora seja útil para navegação, essa projeção aumenta visualmente as áreas próximas aos polos e reduz proporcionalmente regiões próximas à linha do Equador.

A decisão da Assembleia Geral coloca a representação cartográfica no centro de um debate que ultrapassa a geografia: como mapas, símbolos e imagens podem influenciar a maneira como diferentes partes do mundo são percebidas.

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