O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira (14) o sigilo do processo que reúne informações sobre a rede de pagamentos do empresário Daniel Vorcaro e do Banco Master. A decisão atende a um pedido do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
O processo é composto por três peças. A primeira é uma petição apresentada pela Polícia Federal (PF), que solicita autorização para acessar informações financeiras relacionadas a pessoas investigadas no chamado Caso Master.
Segundo a PF, com o objetivo de rastrear uma possível movimentação de dinheiro ilícito atribuída a Vorcaro, o delegado responsável pediu ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) relatórios de inteligência financeira (RIFs) de pessoas investigadas.
O Coaf atendeu apenas parcialmente à solicitação. Durante a análise dos documentos, o órgão identificou pagamentos destinados a pessoas que teriam foro por prerrogativa de função. Por esse motivo, o conselho informou que precisaria de autorização expressa do STF para fornecer essas informações.
A PF, então, pediu que André Mendonça autorizasse o compartilhamento dos dados. Até o momento, não há registro no processo de uma decisão do ministro sobre esse pedido.
A segunda peça é justamente o relatório encaminhado pelo Coaf à Polícia Federal. Entre os registros, aparecem mais de R$ 57 milhões em pagamentos destinados à Igreja Batista da Lagoinha entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025.
A instituição já foi alvo de apurações na CPMI do INSS e de suspeitas relacionadas ao possível desvio de emendas parlamentares. Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, atuava como pastor na igreja.
O relatório também registra, no mesmo período, o repasse de R$ 22 mil a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário. Segundo as informações reunidas pela investigação, ele seria ligado a Vorcaro e teria atuado em ações de monitoramento, coação, retirada de conteúdo, ataques hackers e articulação com criminosos supostamente a mando do empresário.
A retirada do sigilo havia sido solicitada no domingo (13) pelo ministro Alexandre de Moraes. Segundo ele, a divulgação das petições relacionadas ao Caso Master é necessária para subsidiar os votos dos ministros no julgamento marcado para terça-feira (15).
Na sessão, o STF deverá analisar uma eventual abertura de investigação contra Moraes em razão de mensagens trocadas com Daniel Vorcaro. A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente ao levantamento do sigilo.


