Rio Branco, AC, 20 de setembro de 2026 10:13

Estudo mostra que Ozempic e Mounjaro podem gerar possíveis benefícios ao cérebro, mas evidências ainda são inconclusivas

Medicamentos conhecidos pelo controle do diabetes e pela perda de peso, como Ozempic e Mounjaro, passaram a ser estudados por possíveis efeitos sobre a saúde cerebral. As pesquisas avaliam se essas substâncias podem reduzir processos inflamatórios e proteger funções relacionadas à memória e ao raciocínio.

A semaglutida, princípio ativo do Ozempic, atua como agonista do receptor GLP-1. Já a tirzepatida, presente no Mounjaro, age simultaneamente nos receptores de GIP e GLP-1. Esses receptores também estão presentes em regiões do cérebro, incluindo o hipocampo, associado à memória, e o hipotálamo, responsável pela regulação de diferentes funções do organismo.

Uma análise publicada na revista Cell Metabolism apontou que a ativação dos receptores de GLP-1 pode influenciar a unidade neurovascular, estrutura formada por células nervosas e vasos sanguíneos. O mecanismo poderia ajudar a regular micróglias e astrócitos, células envolvidas na resposta inflamatória cerebral, mas essa possibilidade ainda precisa ser confirmada em estudos clínicos. PubMed

Análises observacionais também encontraram associações entre o uso desses medicamentos e menor ocorrência de comprometimento cognitivo ou demência. Uma comparação retrospectiva sugeriu resultados mais favoráveis para a tirzepatida do que para a semaglutida. Contudo, esse tipo de estudo não comprova que o medicamento tenha causado a redução do risco, pois fatores como perda de peso, controle do diabetes e condições gerais de saúde podem influenciar os resultados.

O principal alerta veio de dois ensaios clínicos de fase 3, denominados Evoke e Evoke+, realizados com mais de 3,8 mil participantes com Alzheimer em estágio inicial. A semaglutida oral promoveu alterações em alguns biomarcadores da doença, mas não conseguiu reduzir de maneira estatisticamente significativa a progressão do declínio cognitivo em comparação ao placebo.

Os resultados indicam que os possíveis efeitos cerebrais dos medicamentos continuam sendo uma área relevante de investigação, mas ainda não existem evidências suficientes para recomendar Ozempic, Mounjaro ou outros remédios semelhantes na prevenção ou no tratamento do Alzheimer. O uso dessas substâncias deve ocorrer somente nas indicações autorizadas e com acompanhamento médico.

Compartilhe

Facebook
Twitter
WhatsApp