A Polícia Federal apreendeu R$ 979,3 mil em dinheiro durante as diligências da Operação Umbra, deflagrada nesta terça-feira (22), no âmbito das investigações sobre desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro no Acre. A quantia foi encontrada com alvos da operação e corresponde ao total de valores em espécie apreendidos nessa fase da investigação.
Além da Operação Umbra, a PF também deflagrou a Operação Ptolomeu IV, que investiga possíveis irregularidades em contratos públicos relacionados à construção da nova sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (IMAC). No âmbito dessa segunda operação, foram sequestrados diversos bens, incluindo veículos de luxo.
Ao todo, as duas ações cumpriram 28 mandados de busca e apreensão em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no Acre, além de Maringá, no Paraná, e Navegantes, em Santa Catarina. As ordens judiciais foram expedidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde tramitam os processos.
A Operação Ptolomeu IV foi realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e reúne duas frentes de investigação relacionadas à construção da nova sede do IMAC.
A primeira apura possíveis irregularidades na contratação da empresa responsável pela execução inicial da obra. Uma auditoria da CGU identificou indícios de superfaturamento por inexecução parcial, com prejuízo estimado em aproximadamente R$ 1,2 milhão. O valor corresponde a serviços que teriam sido medidos e pagos, mas não concluídos.
A investigação também aponta suspeitas de que recursos provenientes de contratos públicos tenham sido utilizados para pagar despesas particulares e conceder vantagens indevidas a agentes públicos. A análise financeira da empresa identificou saques em dinheiro e outras movimentações consideradas atípicas.
A segunda frente investiga a empresa posteriormente contratada para concluir a obra. Segundo a PF, há indícios de possível sucessão empresarial e continuidade das práticas investigadas, além de vínculos entre pessoas relacionadas à nova contratada e empresas que foram alvo de fases anteriores da Operação Ptolomeu.
A Operação Umbra teve origem em informações obtidas durante fases anteriores da Operação Ptolomeu. De acordo com a Polícia Federal, foram identificadas evidências da existência de um núcleo de contrainteligência suspeito de obter informações sobre atividades policiais, incluindo a movimentação de equipes e viaturas.
A suspeita é de que os dados fossem utilizados para antecipar operações policiais e permitir medidas destinadas a reduzir a efetividade de decisões judiciais. A apuração também identificou a possível participação de um ex-servidor terceirizado e de um agente da Polícia Federal no repasse indevido de informações sobre operações. Durante as diligências, três suspeitos foram presos em flagrante por posse ilegal de armas de fogo.
Além dos mandados de busca e apreensão, o STJ autorizou o sequestro de bens e valores dos investigados, com a finalidade de viabilizar o ressarcimento dos cofres públicos.Também foram impostas medidas cautelares, incluindo o afastamento de funções públicas, a proibição de contato entre investigados, restrições de acesso a determinados órgãos públicos e a proibição de deixar a comarca de residência e o país.
As decisões judiciais determinam ainda a entrega dos passaportes à Superintendência da Polícia Federal no Acre, no prazo de 24 horas. Conforme a PF, os investigados poderão responder, de acordo com a participação de cada um, pelos crimes de organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e embaraço à investigação de infração penal envolvendo organização criminosa.
A Polícia Federal ressalta que outros delitos poderão ser identificados durante o andamento das apurações. As investigações seguem em curso.


