Estudo mostra que substâncias produzidas artificialmente têm efeito semelhante ao de óleos essenciais usados para atrair morcegos dispersores de sementes.
Pesquisadores da Embrapa Florestas, do Instituto Federal do Paraná (IFPR) e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) identificaram que compostos aromáticos sintéticos podem ser usados para atrair morcegos frugívoros para áreas em processo de recuperação. A estratégia aproveita o olfato dos animais para estimular sua permanência nesses locais e, consequentemente, aumentar a dispersão de sementes. Os testes envolveram morcegos dos gêneros Artibeus, Carollia e Sturnira, conhecidos por se alimentarem de frutos.
A pesquisa começou com óleos essenciais extraídos de frutos de figueiras, jaborandis e tomates silvestres, que já demonstravam capacidade de atrair os animais. Nos últimos anos, os cientistas passaram a separar os componentes dessas essências e testar substâncias sintéticas disponíveis comercialmente. Os resultados mostraram que alguns desses compostos conseguem provocar uma atração semelhante à dos óleos naturais quando utilizados em pequenas quantidades. Além de facilitar a aplicação, a alternativa reduz a necessidade de coletar grandes quantidades de frutos para produzir os óleos, já que o rendimento da extração é baixo.
A aplicação é feita com pequenos septos de borracha de látex, que absorvem o composto e liberam o aroma gradualmente no ambiente. Nos experimentos, o dispositivo manteve a emissão por cerca de 20 a 25 dias. A expectativa dos pesquisadores é utilizar a técnica como complemento ao reflorestamento tradicional, fazendo com que os morcegos levem ao solo sementes de espécies encontradas em áreas de vegetação próximas. Apesar do potencial para tornar a restauração mais simples e barata, novos estudos ainda serão necessários para estabelecer a quantidade adequada dos compostos, a forma de aplicação e os efeitos da técnica sobre a recuperação dos ecossistemas.


