Rio Branco, AC, 28 de setembro de 2026 14:54

Agente de aeroporto dá detalhes de episódio envolvendo Alan Rick em Brasília: “acabou com meu amor pela aviação”

“Eu fui oprimido, exposto, e humilhado. Por uma coisa que eu não tive culpa.” É assim que Francisley Souza, agente de aeroporto envolvido na discussão com Alan Rick no Aeroporto de Brasília, começa a contar sua história na propaganda eleitoral de Mailza exibida nesta segunda-feira (28). O programa apresenta um laudo médico para documentar que ele está afastado do trabalho há mais de dois anos devido a um quadro de depressão e ansiedade, diagnosticado após o episódio e a exposição das imagens da agressão de Alan Rick.

A peça abre com uma referência à reportagem do Fantástico sobre agressões a trabalhadores em aeroportos, que foi ao ar no último domingo (20). Depois, recupera o vídeo em que Alan, ao saber que havia perdido um voo para Rio Branco, grita com o funcionário da Latam e bate no balcão. As imagens se tornaram públicas em 2023.

Francisley, hoje com 40 anos, casado há 22 e pai de duas filhas, descreve o que aconteceu antes da gravação que se tornou pública. Ele diz que foi escalado para o embarque de Brasília a Rio Branco e chamou o passageiro repetidas vezes: “Alan Rick, senhor Alan Rick, passageiro com destino a Rio Branco. Alan Rick”. Segundo o agente, Alan não apareceu porque estava assistindo a um jogo do Flamengo na Sala Vip que fica próximo ao portão de embarque. O procedimento foi encerrado e a aeronave partiu.

“Quando eu subi do finger, da ponte de embarque, eu percebi que ele já estava lá”, relata. Francisley afirma que explicou que o voo havia saído e não havia como reabrir o embarque. Foi nesse momento, segundo ele, que Alan começou a se exaltar. “Foi uma situação bem humilhante. Eu acho que ele foi truculento. Ele não soube conversar. Ele não soube entender a situação. Não soube escutar.”

O agente diz que a gravação conhecida pelo público não mostra tudo o que ocorreu. “Inclusive essa parte do vídeo nem é a pior. A pior é quando ele tenta chegar mais próximo de mim, tentar agredir fisicamente”, afirma. Essa tentativa de agressão física integra o relato de Francisley; não está demonstrada nas imagens públicas da discussão.

No depoimento, Francisley conta que a exposição do episódio prejudicou sua trajetória dentro da Latam e impediu que ele realizasse o sonho de ser comissário. Ele afirma que está afastado, faz tratamento para ansiedade e convive com dificuldades para dormir. “Eu me sinto impotente. Vivendo sob remédio, vivendo sob olhares de psicólogo, de psiquiatra. Pra dormir tem noites que eu não consigo dormir. À noite eu levantava louco atordoado.”

A perda do vínculo com a profissão é a parte mais dolorosa de seu relato. “Esse emprego lá na Latam foi um divisor de águas pra mim. Por que quem não quer trabalhar no que gosta? O Alan Rick tirou a minha vontade de continuar trabalhando. O Alan Rick tirou meu amor pela aviação. O Alan Rick acabou com a minha vontade de entrar no aeroporto.”

“Eu não agredi ele, não levantei a voz. E ele sempre falando alto e tentando me intimidar”, prossegue Francisley. “Acabou com meus sonhos. Acabou com meu amor pela aviação. Isso que Alan Rick fez.”

Pedido de desculpas não ocorreu

Francisley também contesta a versão de que recebeu um pedido de desculpas. Em entrevista à TV5 na manhã desta segunda-feira, antes da exibição do programa, Alan afirmou mais uma vez: “Eu pedi desculpas ao rapaz.” O agente diz que Alan nunca fez contato com ele após o episódio e que não recebeu esse pedido.

Na parte final, o trabalhador resume a perda que associa ao episódio. “Acabou com meus sonhos. Acabou com meu amor pela aviação.”

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