Rio Branco, AC, 29 de setembro de 2026 14:13

Clubes reclamam do fim das bets e temem perda milionária com patrocínios

Proibição das plataformas de apostas atinge uma das principais fontes de patrocínio do futebol brasileiro e aumenta tensão entre dirigentes e governo federal

Clubes do futebol brasileiro demonstram insatisfação com a proibição das casas de apostas online no país. A medida provisória publicada pelo governo federal impede novos depósitos e determina que as plataformas deixem de operar no Brasil a partir de 6 de outubro, atingindo diretamente contratos de patrocínio mantidos por equipes das principais divisões nacionais.

O impacto financeiro preocupa principalmente os times que possuem casas de apostas como patrocinadoras máster. Em 2025, as bets destinaram cerca de R$ 1,03 bilhão aos clubes da Série A. Atualmente, 14 dos 20 clubes da elite do Campeonato Brasileiro estampam empresas do setor como patrocinadoras principais.


Entre os casos de maior impacto está o Flamengo. O clube possui contrato com a Betano avaliado em aproximadamente R$ 268,5 milhões por ano e estima que os efeitos diretos e indiretos da proibição possam chegar a R$ 400 milhões anuais, considerando também outras receitas publicitárias relacionadas ao mercado de apostas.

A insatisfação aumentou porque dirigentes afirmam que não houve diálogo suficiente com os clubes antes da decisão. Nesta terça-feira (29), uma reunião prevista entre representantes do futebol e o Ministério do Esporte acabou cancelada em meio à baixa adesão e à articulação de clubes que não pretendiam participar do encontro. Parte das equipes também busca alternativas para reduzir o impacto financeiro provocado pelo encerramento dos contratos.

Antes mesmo da publicação da medida, clubes haviam divulgado um manifesto defendendo a manutenção do mercado regulamentado. As equipes argumentam que o caminho deveria ser ampliar a fiscalização, combater empresas ilegais e fortalecer mecanismos de proteção aos apostadores, em vez de encerrar completamente o setor.

Do outro lado, o governo defende que a proibição busca enfrentar problemas relacionados ao vício em apostas e ao endividamento das famílias. Com o impasse, os clubes agora precisam buscar novos patrocinadores e reorganizar receitas enquanto discutem com o governo possíveis alternativas para diminuir os efeitos financeiros do fim das bets no futebol brasileiro.

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