Estudantes do ensino médio, professores e familiares foram às ruas de dezenas de cidades da França nesta terça-feira (6) para cobrar investimentos e melhores condições nas escolas. Segundo o Ministério do Interior, mais de 250 mil pessoas participaram das manifestações. Os organizadores estimaram o público em 450 mil.
A mobilização foi marcada por confrontos em cidades como Paris, Estrasburgo, Rennes e Toulouse. A polícia utilizou gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar grupos envolvidos em episódios de violência nas proximidades das passeatas.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu classificou a onda de protestos estudantis como a mais violenta em décadas. Em pronunciamento aos parlamentares, afirmou que, até aquele momento, pelo menos 215 adolescentes e 85 profissionais das escolas haviam ficado feridos nos confrontos. Seu gabinete informou que mais de 700 policiais também se feriram ao longo da mobilização.
Na segunda-feira (5), um adolescente perdeu uma das mãos durante os protestos. Diante do agravamento da situação, o presidente Emmanuel Macron convocou Lecornu e outros integrantes do governo para uma reunião de emergência nesta terça-feira, segundo a emissora BFM.
As reivindicações se concentram na falta de profissionais e de recursos para a educação. Em Marselha e Nantes, manifestantes carregaram cartazes com críticas à atuação do Estado nas escolas. Em Toulouse, familiares caminharam de braços dados à frente de uma passeata.
Os protestos ocorrem em um momento de dificuldades políticas e econômicas para o governo francês, pressionado a controlar a dívida pública em meio ao baixo crescimento. Desde que os aliados de Macron perderam a maioria parlamentar, em 2024, o Executivo enfrenta obstáculos para aprovar medidas como o orçamento.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, associou as manifestações à imigração e ao islamismo em uma publicação na rede Truth Social. As demandas apresentadas pelos estudantes, porém, tratam das condições de ensino, da falta de pessoal e do financiamento das escolas.


