Quatro dos nove suspeitos de envolvimento no assassinato de Yara Paulino da Silva, de 28 anos, foram pronunciados pela Justiça para serem submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri, em Rio Branco. Entre os acusados está Ismael Bezerra Freire, ex-marido da vítima. A previsão é de que o julgamento ocorra entre novembro e dezembro de 2026.
Além de Ismael, estão entre os acusados Francisco Gleidson de Souza Nunes, conhecido como “Neném” ou “Pai”, Leiliane Alves da Silva, chamada de “Comadre”, e Patrícia de Castro da Silva, conhecida como “Neguinha”. Conforme o Ministério Público do Acre (MP-AC), Ismael e Patrícia recorreram da decisão de pronúncia, e a situação dos dois ainda depende da análise dos recursos.
O crime aconteceu em 24 de março de 2025, na região da Cidade do Povo, em Rio Branco. Yara foi retirada de dentro de casa e espancada até a morte em via pública, diante de dois dos filhos. Segundo as investigações, a mulher foi vítima de uma execução motivada por um boato de que teria matado a própria filha, uma bebê de aproximadamente três meses.
De acordo com o promotor de Justiça Teotônio Rodrigues, a investigação da Polícia Civil apontou a participação de nove pessoas no homicídio. O Ministério Público ofereceu denúncia contra todos os suspeitos, mas nem todos tiveram a mesma decisão na fase de pronúncia.
Segundo a acusação, o assassinato teria sido determinado por integrantes de uma facção criminosa que atuava na região, sob a justificativa de aplicar uma espécie de “disciplina” à vítima. Francisco Gleidson de Souza Nunes é apontado pelo Ministério Público como o mandante do crime.
Boato sobre a morte da bebê
Conforme a denúncia, o caso começou após o desaparecimento de Cristina Maria, filha de Yara, que tinha cerca de três meses de idade. A mãe teria informado o desaparecimento a pessoas da Cidade do Povo, quando surgiu a suspeita de que ela própria teria matado a criança.
A situação ganhou repercussão depois que restos mortais foram encontrados dentro de um saco em um terreno baldio. Inicialmente, houve a suspeita de que os restos fossem da bebê. No entanto, exames periciais identificaram que a ossada era de um animal. Até então, a criança não havia sido localizada.
Mesmo após a suspeita não ser confirmada pela perícia, Yara acabou sendo morta. De acordo com o Ministério Público, os acusados invadiram a residência da mulher e passaram a agredi-la, exigindo que confessasse responsabilidade pelo desaparecimento da filha.
Ainda conforme a denúncia, Yara conseguiu escapar dos agressores e tentou fugir, mas foi alcançada em via pública e atingida por sucessivos golpes, principalmente na cabeça. O laudo cadavérico apontou ferimentos extensos na cabeça, no tórax, nos braços e nas pernas.
A acusação sustenta que a violência empregada provocou sofrimento intenso e prolongado, caracterizando o meio cruel. Os suspeitos foram denunciados por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de outras imputações relacionadas à participação em organização criminosa, conforme a situação de cada acusado.
Testemunhas devem ser ouvidas
A previsão é de que sete testemunhas sejam ouvidas durante o julgamento, incluindo um dos filhos de Yara, que presenciou o assassinato da mãe. Por ser menor de idade, ele deverá ser ouvido por meio de depoimento especial, procedimento realizado em ambiente reservado e conduzido por profissional capacitado, conforme determina a legislação.
Além dos quatro acusados que poderão ser submetidos ao Tribunal do Júri, outros cinco também foram denunciados pelo Ministério Público por suposta participação no homicídio. O andamento dos processos e as decisões judiciais definirão a situação de cada um.
Na denúncia, o Ministério Público também pediu que seja fixada indenização mínima de R$ 100 mil à família da vítima, a título de reparação por danos morais decorrentes do crime.


