Alta foi puxada pelas contas de luz e pelos alimentos; IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,58%, acima do teto da meta de inflação.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no Brasil, subiu 0,82% em setembro, resultado acima das projeções do mercado e o maior para o mês desde 2021. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,58%, ultrapassando o teto de 4,5% previsto na meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que tem como objetivo central manter a alta dos preços em 3%.
A principal pressão veio da energia elétrica residencial, cujas tarifas aumentaram 7,98% no mês, após o fim dos descontos concedidos em agosto. Os alimentos também contribuíram para a alta, com avanço de 0,83%, interrompendo uma sequência de três meses de queda nos preços. O resultado ficou 0,12 ponto percentual acima da estimativa divulgada pelo mercado no Boletim Focus do Banco Central.
A inflação mais elevada pode dificultar novos cortes na taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, após cinco reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual. Juros altos encarecem empréstimos e financiamentos, reduzem o consumo e ajudam a conter a alta dos preços. Por isso, o Banco Central avalia os indicadores econômicos antes de decidir os próximos passos da política monetária. Analistas consideram que o resultado de setembro reduz o espaço para novas reduções no curto prazo.
Apesar da pressão inflacionária, as projeções do mercado ainda indicam a possibilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic em novembro, levando a taxa a 13,5% ao ano. A decisão dependerá da evolução dos preços e da atividade econômica. Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central afirmou que continuará acompanhando os dados para definir o nível de juros necessário para conduzir a inflação de volta à meta.


