Rio Branco, AC, 11 de outubro de 2026 20:48

Anvisa autoriza testes em humanos da primeira vacina brasileira contra malária por Plasmodium vivax

Desenvolvido pela UFMG com tecnologia nacional, imunizante Vivaxin começará a ser avaliado em 48 voluntários; doença concentra a maioria dos casos na região amazônica.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos testes em humanos da Vivaxin, vacina desenvolvida no Brasil contra a malária causada pelo parasita Plasmodium vivax, responsável pela maioria dos casos da doença no país. O imunizante foi criado por pesquisadores do Centro de Tecnologia de Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (CTVacinas/UFMG) e representa uma nova frente de pesquisa para prevenir a infecção. Segundo o Ministério da Saúde, a doença registrou 118.037 casos no Brasil em 2025.

A primeira etapa dos ensaios clínicos vai avaliar a segurança da vacina, possíveis reações adversas e a capacidade de estimular uma resposta imunológica. Participarão 48 voluntários com idades entre 18 e 59 anos, sem histórico de infecção por malária. O acompanhamento de cada participante será realizado durante 360 dias. O Ministério da Saúde prevê investimento de R$ 12 milhões para apoiar os ensaios clínicos das fases I, II e III.

Atualmente, as duas vacinas contra a malária recomendadas por autoridades sanitárias foram desenvolvidas para combater o Plasmodium falciparum, espécie predominante na África. A Vivaxin, por sua vez, tem como alvo o Plasmodium vivax, encontrado principalmente nas Américas e na Ásia. A malária é transmitida pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles, conhecido como mosquito-prego, e não passa diretamente de uma pessoa para outra. Sem tratamento adequado, a infecção pode persistir por meses ou anos, dependendo da espécie do parasita.

No Brasil, a maior parte dos casos está concentrada na região amazônica, que inclui o Acre, além de outros oito estados. Por isso, o desenvolvimento de uma vacina específica contra o Plasmodium vivax tem relevância para a prevenção da doença nessa região. Apesar do avanço, a Vivaxin ainda precisa passar pelas etapas de avaliação clínica, que vão verificar sua segurança e eficácia antes de uma eventual autorização para uso na população.

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