Rio Branco, AC, 12 de outubro de 2026 18:17

Técnicos do TSE não identificam conteúdo falso em canal de apoio a Lula

Um relatório elaborado pela equipe técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não identificou publicações falsas no canal “Exército do Lula”, criado no WhatsApp para divulgar mensagens de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. A análise considerou textos e vídeos publicados entre os dias 2 e 11 de outubro de 2026.

O levantamento foi realizado pelo setor de combate à desinformação da Corte, a pedido do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, após decisões judiciais divergentes sobre a permanência do canal na plataforma.

Segundo o relatório, não foram encontradas, nas publicações examinadas, reproduções de conteúdos considerados relevantes para o processo que tramita na Justiça Eleitoral. Apesar disso, os técnicos apontaram aspectos relacionados à forma de divulgação das mensagens.

A análise identificou uma possível atuação coordenada na disseminação dos conteúdos e observou o uso recorrente de linguagem polarizadora. Conforme o documento, esse tipo de abordagem pode estimular uma lógica de confronto, considerada potencialmente incompatível com o papel das eleições como alternativa pacífica para a resolução de divergências.

Canal foi suspenso e depois reativado

O canal “Exército do Lula” foi criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) para divulgar conteúdos favoráveis ao presidente. A iniciativa passou a ser alvo de questionamentos judiciais apresentados pela campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL).

A campanha solicitou ao TSE a suspensão do canal e a cassação do mandato de Janones. No sábado (10), o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, relator do processo, pediu informações complementares ao candidato, mas não determinou a retirada do canal do ar naquele momento.

Posteriormente, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, decidiu pela suspensão da página. No domingo (11), porém, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, derrubou a decisão e determinou a reativação do canal.

Ao justificar a medida, o ministro destacou que o pedido da campanha de Flávio Bolsonaro para derrubar sua decisão havia sido apresentado à presidência do tribunal apenas 41 minutos após a movimentação processual anterior.

Com a divulgação do relatório técnico, a análise sobre as publicações passou a contar com uma avaliação específica do conteúdo compartilhado no canal, embora permaneçam os apontamentos sobre a atuação coordenada e o emprego de linguagem polarizadora.

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