Rio Branco, AC, 14 de outubro de 2026 13:32

Lula pode ser mais prejudicado pela abstenção do que Flávio Bolsonaro, apontam especialistas

A estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para vencer as eleições no segundo turno tem como foco os mais de 33,4 milhões de eleitores que não compareceram às urnas na primeira etapa da votação. Segundo analistas consultados pelo Metrópoles, esse grupo pode ter um peso maior no resultado da disputa para Lula do que para o senador Flávio Bolsonaro (PL). A avaliação é que boa parte dos eleitores ausentes apresenta um perfil historicamente mais alinhado ao presidente petista. De acordo com os especialistas, a abstenção no Brasil é composta majoritariamente por pessoas de baixa renda e escolaridade, características que também aparecem entre parcelas do eleitorado de Lula. Para o cientista político Antônio Lavareda, esse perfil converge com o de eleitores que tradicionalmente apoiam o presidente ou declaram intenção de votar nele. “Quem perde voto nesse contingente é o Lula, pelo largo quantitativo dos votos dos pobres e baixa escolaridade que formam esse bloco”, afirmou. Pesquisas de intenção de voto realizadas pelo instituto Datafolha também traçaram um perfil dos eleitores que declararam voto em Lula, contribuindo para a análise sobre o impacto da ausência nas urnas no resultado do segundo turno. As razões para não votar variam de acordo com o perfil dos eleitores. Entre as pessoas de baixa renda e escolaridade, dificuldades estruturais podem estar entre os principais fatores que impedem o comparecimento às seções eleitorais. Segundo Lavareda, os obstáculos incluem a dificuldade de acesso aos locais de votação e a distância entre a residência do eleitor e a seção eleitoral. Para tentar reduzir a abstenção, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a gratuidade do transporte público nos dias de votação. A medida, no entanto, ainda é considerada insuficiente, por si só, para resolver o problema. Com milhões de eleitores fora das urnas no primeiro turno, a mobilização desse contingente se torna um dos desafios da campanha presidencial. A capacidade de estimular o comparecimento e conquistar esses votos pode influenciar o resultado da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.

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