Rio Branco, AC, 21 de outubro de 2026 16:23

Vorcaro acusa ex-governador do DF de exigir R$ 400 milhões em propina e afirma ter pago R$ 80 milhões em dinheiro vivo

Dono do Banco Master relata suposto esquema envolvendo Ibaneis Rocha para viabilizar negociação bilionária com banco público; defesa nega acusações.

O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou em uma proposta de delação premiada que o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), teria exigido R$ 400 milhões em propina para viabilizar a compra da instituição financeira pelo Banco de Brasília (BRB). Segundo as informações divulgadas nesta quarta-feira (21), Vorcaro alega ter antecipado aproximadamente R$ 80 milhões em dinheiro vivo.

De acordo com o relato do banqueiro, o suposto acordo teria sido firmado em setembro de 2024, após um encontro em sua residência, em Brasília. O pagamento seria dividido em duas partes: R$ 200 milhões em espécie e outros R$ 200 milhões por meio de um contrato fictício com um escritório de advocacia indicado pelo então governador. Vorcaro também afirmou que Ibaneis teria direito a 5% de participação no novo banco, por meio de uma empresa de fachada.

O empresário declarou que os R$ 80 milhões teriam sido entregues pelo seu motorista a Leonardo Valverde, apontado como braço direito de Ibaneis. Mensagens recuperadas pela Polícia Federal mostram que, em pelo menos dez ocasiões, o motorista relatou entregas de encomendas a uma pessoa identificada como “Léo” ou “Dr. Léo”, entre novembro de 2024 e agosto de 2025. Entretanto, o conteúdo das mensagens não comprova, por si só, que as entregas envolviam dinheiro ou pagamentos ilícitos.

As suspeitas surgem em meio às investigações sobre as operações financeiras entre o Banco Master e o BRB. A tentativa de aquisição da instituição privada pelo banco público foi barrada pelo Banco Central em setembro de 2025. Posteriormente, o Master foi liquidado, enquanto a Polícia Federal avançou nas investigações sobre possíveis fraudes bilionárias envolvendo a instituição.

A defesa de Ibaneis Rocha rejeita as acusações e afirma que a proposta de delação não foi aceita por falta de provas. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, sustenta que o ex-governador não participava das decisões administrativas do BRB e concedia autonomia à direção do banco.

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