O general Carlos Alberto Santos Cruz, ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, acusou a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de utilizar trechos de uma entrevista sua em propaganda eleitoral sem autorização. A peça foi exibida nesta quarta-feira (21) e trouxe declarações do militar com críticas ao bolsonarismo.
Em entrevista à CNN, Santos Cruz afirmou que autorizou o uso de sua imagem exclusivamente para a entrevista concedida à série de vídeos do canal Revelando, e não para fins eleitorais. O general classificou a utilização das imagens como uma “montagem irresponsável” e negou ter pedido votos para Lula.
“No dia de hoje houve a divulgação da minha imagem em uma, vinculando-a a pedido de voto para um dos candidatos. Isso é falso, um recorte desonesto”, declarou.
O militar também ressaltou que não apoia formalmente nenhum candidato e defendeu que o resultado das urnas seja respeitado. Segundo ele, cada eleitor deve ter liberdade para fazer sua escolha.
“As minhas opiniões durante a entrevista estão nela contidas. Não pedi e não peço voto a candidato nenhum. Cada eleitor que faça sua escolha. É um direito universal. E o resultado final deve ser respeitado por todos os brasileiros”, afirmou.
Canal também nega autorização
Em nota, o canal Revelando, iniciativa ligada ao podcast Calma Urgente, confirmou que não autorizou a campanha petista a utilizar trechos da entrevista do general na propaganda eleitoral.
“A campanha do PT utilizou trechos da entrevista do general em sua propaganda eleitoral sem autorização do Revelando e sem os devidos créditos”, informou o canal, acrescentando que o material foi disponibilizado exclusivamente para fins jornalísticos.
A propaganda utilizou as declarações de Santos Cruz em uma estratégia voltada a dialogar com eleitores de direita, diferenciando esse campo político do bolsonarismo. O programa também buscou alcançar eleitores indecisos e mencionou o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Antes da exibição do trecho, a propaganda apresenta o militar como alguém que esteve dentro do governo e da família Bolsonaro.
Na entrevista original, Santos Cruz afirma se identificar com a direita, mas critica o extremismo político. “Eu me considero de direita. Isso aí que a gente vê, esse extremismo, isso aí não é direita. Isso é vigarice”, declarou.
O general também fez críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Segundo ele, o senador representa interesses familiares e não possui trajetória própria que justifique sua candidatura.
A íntegra da entrevista, na qual Santos Cruz também aborda temas como soberania nacional e relações com os Estados Unidos, está disponível no YouTube.
Passagem pelo governo Bolsonaro
Carlos Alberto Santos Cruz ganhou projeção nacional por sua atuação em missões de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), incluindo operações no Haiti e na República Democrática do Congo.
Durante o governo Jair Bolsonaro, comandou a Secretaria de Governo da Presidência da República por aproximadamente seis meses. Ele deixou o cargo em 13 de junho de 2019, após desentendimentos com integrantes da ala ideológica do governo.
Na época, o general passou a ser alvo de críticas de apoiadores de Bolsonaro nas redes sociais. Após deixar o Palácio do Planalto, tornou-se um crítico da gestão do ex-presidente.


