Rio Branco, AC, 26 de outubro de 2026 15:30
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Antra pede R$ 500 mil de Pavanato na Justiça por “transfobia recreativa”

Entidade acusa Lucas Pavanato de ridicularizar mulheres trans em propaganda eleitoral e solicita a retirada do conteúdo das redes sociais.

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) ingressou com uma ação civil pública na Justiça de São Paulo contra o deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP) e a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL-SP), após a divulgação de um vídeo de campanha considerado transfóbico pela entidade. A associação também apresentou uma representação ao Ministério Público Federal (MPF), solicitando a apuração de possíveis responsabilidades civis e criminais dos envolvidos.

O vídeo, divulgado durante a campanha eleitoral de setembro, tem aproximadamente 28 segundos e mostra Pavanato utilizando uma peruca para representar uma mulher trans. Na gravação, ele e Campopiano encenam um diálogo sobre identidade de gênero, uso de banheiros femininos, cotas universitárias e características biológicas. Em determinado momento, a deputada eleita afirma que não possui cotas na universidade, enquanto Pavanato responde que teria acesso a vagas destinadas a pessoas trans. A encenação termina com uma declaração contrária ao reconhecimento da identidade de gênero.

Na ação, a Antra pede a retirada do vídeo das redes sociais, uma retratação pública dos envolvidos, a proibição de novas publicações semelhantes e o pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos. Caso a indenização seja determinada pela Justiça, o valor deverá ser destinado a um fundo público voltado à reparação de direitos coletivos. Ao MPF, a entidade solicita a investigação das possíveis infrações relacionadas à divulgação do material.

Para a associação, a gravação reforça estereótipos e transforma a existência de pessoas trans em motivo de deboche para conquistar engajamento político. A entidade classificou a prática como “transfobia recreativa” e afirmou que a utilização do humor não pode justificar manifestações discriminatórias. A presidente da Antra, Bruna Benevides, também criticou a exploração de discursos preconceituosos como estratégia para conquistar visibilidade e votos.

O caso será analisado pela Justiça, que deverá avaliar se o conteúdo ultrapassou os limites da liberdade de expressão e configurou violação de direitos coletivos. Até a publicação das informações consultadas, não havia confirmação de decisão judicial sobre os pedidos apresentados pela Antra. Também não foi identificada manifestação de Pavanato ou Campopiano especificamente sobre a nova ação.

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