Rio Branco, AC, 27 de outubro de 2026 17:54

Sônia Guajajara aciona Ministério da Justiça após denúncias de assassinatos e ameaças contra indígenas

Comunidades de Mato Grosso do Sul relatam ataques, racismo e ameaças de envenenamento da água após o segundo turno das eleições

A deputada federal Sônia Guajajara (PSOL) anunciou, nesta terça-feira (27), que está acionando o Ministério da Justiça e Segurança Pública para cobrar medidas de proteção aos povos indígenas de Mato Grosso do Sul. A manifestação ocorre após denúncias de assassinatos, ameaças de morte, ataques racistas e intimidações contra comunidades indígenas, registradas após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).

Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), os relatos envolvem diferentes municípios do estado. Em Naviraí, a entidade denunciou assassinatos; em Coronel Sapucaia, foram relatados atropelamentos; e, em Tacuru e Nioaque, surgiram ameaças de envenenamento da água utilizada pelas comunidades. Na Aldeia Sassoró, em Tacuru, áudios compartilhados em um grupo de WhatsApp teriam registrado manifestações racistas e ameaças contra indígenas.

Diante da gravidade das denúncias, Sônia Guajajara afirmou que solicitou o reforço das forças federais de segurança e cobrou providências do governo estadual. A parlamentar também informou que acompanha as ações do Ministério dos Povos Indígenas para garantir a proteção das comunidades ameaçadas. A Apib encaminhou representações ao Ministério Público Federal (MPF), à Polícia Federal (PF) e a órgãos do governo federal, solicitando investigações e responsabilização dos envolvidos.

O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, confirmou que a Polícia Federal foi acionada para investigar as ameaças. Segundo ele, uma força-tarefa envolvendo os ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial acompanha denúncias de violência contra comunidades tradicionais. A Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, por sua vez, afirmou que não procede a alegação de genocídio contra indígenas no estado e declarou que as forças de segurança atuam para prevenir conflitos.

Até o momento, as autoridades não confirmaram que as mortes denunciadas estejam relacionadas à violência política, nem há comprovação de contaminação da água das comunidades. As circunstâncias dos episódios continuam sob investigação. Sônia Guajajara reforçou a necessidade de uma resposta imediata para garantir a segurança dos povos indígenas, enquanto organizações representativas cobram medidas para impedir novos ataques e assegurar o direito à participação política sem ameaças ou discriminação.

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