Rio Branco, AC, 28 de outubro de 2026 09:42

Bolsonaristas criam lista de empresas onde pessoas não podem comprar em Cruzeiro do Sul e viram alvos de críticas

Uma situação inusitada tem chamado a atenção em Cruzeiro do Sul, interior do Acre. Após a derrota de Flávio Bolsonaro (PT) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela Presidência da República, apoiadores do bolsonarismo passaram a compartilhar uma lista de empresas e empresários que, segundo eles, seriam ligados à esquerda e, por isso, deveriam ser boicotados.

As mensagens começaram a circular na última segunda-feira, 26, em grupos de WhatsApp e incluem estabelecimentos de diferentes segmentos, como sorveterias, padarias, comércios, papelarias, bares e lojas de materiais de construção.

Nos textos compartilhados, os autores afirmam que não pretendem mais gastar dinheiro nos locais citados, sob a justificativa de que os proprietários seriam comunistas. Em um dos relatos, um apoiador afirma que não voltará sequer para comprar pão em um dos estabelecimentos mencionados.

A divulgação provocou reações e críticas nas redes sociais. Em grupos de WhatsApp, internautas questionaram a iniciativa e criticaram a tentativa de envolver empresas e trabalhadores em disputas ideológicas mesmo após o encerramento das eleições.

“Isso é uma doença. As eleições já acabaram, e esses que se dizem defensores da Pátria seguem tentando fazer de tudo para prejudicar empresas e empresários. As eleições acabaram, já houve um vencedor. Essas pessoas deveriam torcer para o Brasil dar certo, isso seria o correto. Não ficar tentando prejudicar pessoas que têm suas empresas, funcionários com birras políticas, porque têm um posicionamento contrário. Somos brasileiros, precisamos torcer para que nosso país dê certo, independentemente de lado”, comentou um internauta.

A situação reacende o debate sobre a polarização política e seus reflexos nas relações comerciais. A divulgação de listas com acusações de alinhamento ideológico pode expor empresas e empresários a ataques e prejuízos, especialmente quando as informações compartilhadas não são acompanhadas de comprovação.

Até o momento, não há informações sobre eventuais medidas adotadas pelos estabelecimentos citados diante da circulação das mensagens.

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