Rio Branco, AC, 31 de outubro de 2026 05:58

Indígenas denunciam mais de 30 casos de violência em Mato Grosso do Sul

Apib contabiliza mais de 30 ocorrências relacionadas ao período eleitoral; incêndio em casa de rezadeira de 90 anos e áudios com ameaças estão entre as denúncias. Mais de 30 casos de violência contra povos indígenas foram contabilizados em Mato Grosso do Sul durante o período eleitoral, segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). As denúncias envolvem ameaças, ataques e atropelamentos que resultaram em mortes. Entre as ocorrências mais recentes está o incêndio da casa da rezadeira Ñandesy Roberta, de 90 anos, na aldeia Jaguapiré, em Tacuru, a cerca de 427 quilômetros de Campo Grande. O imóvel foi atingido na manhã de quinta-feira, 29 de outubro, e, segundo a Apib, o fogo foi criminoso. Instrumentos sagrados utilizados em rituais tradicionais dos povos Kaiowá e Guarani também foram destruídos. Além do incêndio, a entidade denuncia ameaças feitas por meio de mensagens de áudio que circularam após o segundo turno presidencial, realizado no domingo, 25 de outubro. Em uma das gravações, um homem sugere envenenar a água que abastece uma aldeia indígena de Tacuru, em reação ao voto dos moradores. O prefeito Rogério Torquetti (PSDB) confirmou que o autor é servidor municipal e informou que ele foi afastado temporariamente, com abertura de processo administrativo para apurar sua conduta. Em outro áudio, um segundo funcionário ofende indígenas e ameaça um interlocutor, mencionando agressões físicas e uso de arma de fogo. Diante dos relatos, o Ministério dos Povos Indígenas e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) acionaram a Polícia Federal e acompanham as denúncias. O ministro Eloy Terena anunciou a criação de uma força-tarefa interministerial para receber os registros de ataques e ameaças e centralizar as informações encaminhadas por órgãos públicos. Em vídeo divulgado na sexta-feira, 30 de outubro, Voninho Guarani Kaiowá, coordenador da Apib, cobrou a investigação dos casos e a punição dos responsáveis. O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF-MS) também abriu procedimentos para verificar as acusações e adotar medidas de proteção aos territórios indígenas. Em Tacuru, o órgão estabeleceu prazo de 48 horas para que a prefeitura apresente informações sobre a atuação dos servidores e recomendou a instauração de processo administrativo disciplinar e o afastamento cautelar dos envolvidos. Já em Naviraí, o procurador responsável concluiu que denúncias de supostos homicídios motivados por conflitos políticos eram boatos e que imagens fora de contexto foram falsamente associadas a ataques contra indígenas.

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