Rio Branco, AC, 31 de outubro de 2026 11:41

Dólar fecha outubro a R$ 5,45 e Bolsa registra pior queda semanal desde início da pandemia

O mercado financeiro brasileiro encerrou outubro em meio a uma forte onda de instabilidade, marcada pela valorização do dólar e pela queda expressiva da Bolsa de Valores. Nesta sexta-feira (30), a moeda norte-americana subiu 1,09% e fechou cotada a R$ 5,446, enquanto o Ibovespa, principal índice da B3, recuou 0,75%, aos 167.921,80 pontos.

O resultado da semana foi ainda mais negativo. O dólar acumulou alta de 9,15%, a maior valorização semanal desde outubro de 2008, durante a crise financeira internacional. Já o Ibovespa registrou queda de 18,12%, o pior desempenho semanal desde março de 2020, no início da pandemia de covid-19.

No cenário nacional, a movimentação dos investidores foi influenciada pelas incertezas em relação à política fiscal após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A expectativa sobre a composição da equipe econômica do próximo governo e a apresentação de medidas para as contas públicas aumentaram a cautela no mercado.
Dólar atinge maior fechamento do anoO dólar comercial encerrou o pregão desta sexta-feira em alta de 1,09%, cotado a R$ 5,446, alcançando o maior valor de fechamento de 2026. Durante o dia, a moeda chegou a R$ 5,463, por volta das 16h, antes de reduzir parte da valorização.

Além da alta semanal, o câmbio acumulou avanço de 5,27% em outubro. Com isso, passou a registrar valorização de 0,81% no acumulado do ano.

Parte das oscilações durante o pregão esteve relacionada à formação da Ptax de fim de mês, taxa calculada pelo Banco Central e utilizada como referência para a liquidação de contratos futuros de câmbio.

A procura por proteção cambial antes do feriado prolongado de Finados, na segunda-feira (2), também contribuiu para a pressão sobre a moeda brasileira. No exterior, o dólar voltou a ganhar força diante de moedas de países emergentes.
Ibovespa registra sequência de quedasNa Bolsa de Valores, o Ibovespa fechou em baixa de 0,75%, aos 167.921,80 pontos, registrando o quinto pregão consecutivo de perdas.

Na comparação mensal, o índice acumulou queda de 9,88% em outubro, o pior resultado desde junho de 2022, quando havia recuado 11,5%.

A pressão sobre os ativos brasileiros se intensificou após o resultado das eleições presidenciais. Na segunda-feira (26), primeiro pregão após a reeleição de Lula, a queda do índice acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações quando as perdas atingem determinados limites.

A saída de investidores estrangeiros também contribuiu para o desempenho negativo. Dados da B3 apontaram retirada líquida de quase R$ 7,6 bilhões do mercado secundário de ações nos três primeiros pregões da semana.
Mercado internacional também influenciaA instabilidade não ficou restrita ao Brasil. No cenário internacional, os investidores demonstraram cautela diante das perspectivas para empresas de tecnologia dos Estados Unidos, especialmente aquelas ligadas ao setor de inteligência artificial.

Em Nova York, o índice S&P 500 encerrou a sessão com queda de 1,82%, refletindo as preocupações com os resultados de grandes empresas de tecnologia e os investimentos em inteligência artificial.

No mercado cambial internacional, o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana em relação a uma cesta de seis divisas fortes, registrava alta de 0,01%, aos 101,890 pontos, às 17h31.

A combinação de incertezas políticas e fiscais no Brasil com as turbulências no mercado internacional contribuiu para um dos encerramentos de mês mais negativos para os investidores brasileiros nos últimos anos.

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