A empresa TransAcreana, que atua há anos no transporte intermunicipal de passageiros no Acre, deixará de operar duas rotas a partir do dia 4 de novembro. A suspensão afetará os trajetos entre Rio Branco e Bujari e entre a capital acreana e Senador Guiomard.
Segundo Francisco Mendes, chefe de transportes da empresa, a decisão foi motivada pelas dificuldades financeiras enfrentadas pela concessionária, que incluem o aumento das despesas operacionais, a redução da receita e a falta de compensação financeira pelos custos relacionados ao transporte gratuito de passageiros.
De acordo com Mendes, a situação já havia sido comunicada à Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Estado do Acre (Ageac) em abril deste ano, quando a empresa encaminhou um ofício solicitando a suspensão de linhas que operavam com prejuízo. Desde então, segundo ele, o cenário econômico se agravou.
Entre os principais problemas apontados pela empresa está o desequilíbrio entre o número de passageiros pagantes e o de usuários que têm direito à gratuidade, como idosos e pessoas com deficiência. A TransAcreana afirma que precisa garantir o atendimento a esse público, mas não recebe recursos estaduais para compensar os custos do serviço.
Outro fator destacado por Francisco Mendes é a concorrência com táxis-lotação, veículos clandestinos e plataformas de transporte por aplicativo. Na avaliação da empresa, esses serviços atuam sem as mesmas exigências e obrigações relacionadas ao atendimento de passageiros beneficiados pela gratuidade.
Outras linhas podem ser afetadas
A preocupação da direção da TransAcreana é que a crise financeira provoque novas suspensões de rotas caso não sejam adotadas medidas para garantir o equilíbrio econômico do transporte intermunicipal no estado.
A interrupção dos serviços pode prejudicar moradores que dependem dos ônibus para se deslocar entre os municípios, especialmente para trabalhar, estudar e realizar consultas ou outros atendimentos médicos.
Além dos impactos para os passageiros, a empresa alerta que o agravamento da situação pode comprometer a manutenção dos empregos gerados pela companhia no Acre.
Francisco Mendes afirma que, sem medidas para enfrentar as dificuldades financeiras, a continuidade das atividades da TransAcreana no estado poderá ficar ameaçada, colocando em risco os postos de trabalho e o sustento de famílias que dependem diretamente da empresa.


