Estudo da Seagri projeta prejuízo de R$ 202 milhões em caso de seca severa e estima que 15,9 mil famílias agricultoras podem ser afetadas.
Um estudo elaborado pela Secretaria de Estado de Agricultura do Acre (Seagri) estima que uma seca severa associada à atuação intensa do fenômeno El Niño poderá provocar perdas de R$ 202 milhões na produção agropecuária acreana. O valor corresponde a 4,1% da projeção do Valor Bruto da Produção (VBP) para 2026. As maiores consequências são esperadas nas colheitas do primeiro semestre de 2027, principalmente nas culturas de milho, feijão e café. A estimativa também aponta que aproximadamente 15,9 mil famílias agricultoras poderão sofrer perdas significativas.
Do prejuízo projetado, R$ 115 milhões correspondem à agricultura e R$ 87 milhões à pecuária. Entre as culturas, milho e feijão podem registrar queda de 15% na produtividade, enquanto café tem estimativa de redução de 10%. Mandioca e banana podem apresentar perdas de 6%. Na pecuária, a produção de leite poderá diminuir cerca de 10%, em razão da redução da disponibilidade de água e pastagens. O levantamento considera dados do IBGE e os impactos de episódios anteriores do El Niño, registrados em 2015 e 2016 e entre 2023 e 2024. A secretaria ressalta que os números são projeções e que ainda realiza avaliações diretamente nos municípios.
Para reduzir os possíveis danos, o governo estadual mantém ações de assistência aos produtores e prepara investimentos em segurança hídrica. Entre as medidas estão a distribuição de alimentos e água potável, além de programas de compra da produção familiar. O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) conta com R$ 11,27 milhões destinados a 1.898 produtores, enquanto o Programa Estadual de Aquisição de Alimentos (PEAA) dispõe de R$ 4,1 milhões para atender 311 famílias. Também está em elaboração um projeto estimado em R$ 37 milhões para instalação de caixas d’água, reservatórios com geomembranas e perfuração de poços. Nos últimos quatro anos, foram construídos aproximadamente 4,2 mil açudes e tanques, mecanizados 22 mil hectares e beneficiados 9.110 produtores rurais.
Além das medidas dentro do Acre, a Seagri acompanha os efeitos da estiagem na Bolívia e no Peru, países que fazem fronteira com o estado e mantêm relações econômicas com os municípios acreanos. A secretaria também busca cooperação tecnológica com o escritório de projetos da Embaixada de Israel no Brasil para avaliar alternativas de irrigação adequadas à região. Entre as próximas medidas previstas estão a conclusão dos levantamentos de perdas nas propriedades, a distribuição de sementes para replantio e o apoio aos produtores na renegociação de dívidas de crédito rural.


