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Além do discurso político, a mensagem é outra: fazer com que as pessoas voltem a acreditar em si mesmas

A abertura do Super Bowl ganhou um significado que ultrapassa o espetáculo esportivo e o entretenimento. Ao subir ao maior palco da televisão norte-americana, o artista porto-riquenho Bad Bunny transformou sua apresentação em um gesto simbólico de afirmação da identidade latino-americana.

Muito se falou sobre o caráter político do ato e ele existe. Em um país marcado por discursos hostis à imigração e pela tentativa constante de apagar culturas que não se enquadram no padrão dominante, ver um artista latino cantar em espanhol e ocupar esse espaço é, por si só, um posicionamento. Mas reduzir a mensagem de Bad Bunny apenas ao campo político é insuficiente.

O que o artista propõe vai além. Seu discurso é, sobretudo, sobre autoestima coletiva. É um convite para que pessoas historicamente marginalizadas voltem a acreditar em si mesmas, em suas origens e em suas histórias. Ao não suavizar sua identidade para agradar, Bad Bunny envia uma mensagem poderosa: não é preciso se moldar para ser aceito é possível vencer sendo quem se é.

A presença latina no Super Bowl, nesse contexto, não funciona apenas como representação simbólica, mas como espelho. Um espelho que diz a milhões de pessoas que seus sonhos não são grandes demais, que seus sotaques não são um obstáculo e que suas culturas não precisam pedir licença para existir.

Bad Bunny não fala apenas contra algo. Ele fala a favor da confiança, da persistência e da crença no próprio valor. Em um mundo que constantemente tenta convencer indivíduos de que eles não pertencem, sua mensagem resgata algo essencial: acreditar em si mesmo também é um ato de resistência.