A participação dos eleitores nas urnas pode ter papel relevante nas eleições presidenciais de 2026, especialmente diante da disputa acirrada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Especialistas ouvidos pelo Metrópoles avaliam que o índice de abstenção pode influenciar a composição do eleitorado que efetivamente participa da escolha.
A expectativa é de que as eleições deste ano mantenham um nível elevado de abstenção, semelhante ao registrado em 2022. Naquele ano, 20,9% dos eleitores deixaram de votar no primeiro turno e 20,5% não compareceram no segundo.
De acordo com o cientista político Leandro Gabiati, o impacto da abstenção depende de quais grupos sociais deixam de comparecer às urnas. Caso a ausência fosse distribuída de maneira uniforme entre os diferentes segmentos do eleitorado, o efeito sobre os candidatos seria semelhante. No entanto, como as taxas de comparecimento variam entre grupos e regiões, a composição dos eleitores presentes pode ganhar importância.
Nesse cenário, as campanhas eleitorais também passam a buscar não apenas votos, mas o comparecimento dos próprios apoiadores. A avaliação é de que eleitores com maior disposição para votar podem representar uma parcela maior dos votos efetivamente contabilizados.
Entre os fatores apontados por especialistas para explicar a ausência dos eleitores estão questões estruturais, como dificuldades de acesso aos locais de votação, características do processo eleitoral e fatores socioeconômicos. O envelhecimento da população também é citado, já que o voto passa a ser facultativo para pessoas com mais de 70 anos.
Os analistas também destacam diferenças socioeconômicas no comportamento eleitoral. Segundo dados mencionados na reportagem, no primeiro turno de 2022, 55% dos eleitores que não compareceram às urnas tinham estudado até o ensino fundamental.
A abstenção não deve ser confundida com o voto nulo. Enquanto a abstenção ocorre quando o eleitor apto não comparece para votar, o voto nulo acontece quando a pessoa vai à seção eleitoral, mas registra a opção de anular o voto.
Com a proximidade do primeiro turno, previsto para outubro, o comparecimento às urnas se torna, portanto, um dos fatores observados na análise do cenário eleitoral de 2026.


